“Eu já fui várias vezes motivo de piada” – Fabio Rabin

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A boa repercussão obtida com o trabalho na MTV  deu um sabor de ‘celebridade’ ao  paulistano Fabio Rabin que fez teatro na FAAP e escolheu o humor como meio de vida. Criou  o grupo Comédia Ao Vivo, com  Danilo Gentilli (CQC), Dani Calabresa, Luís França e Márcio Ribeiro. Já fez parte do “Pânico”, participou de vários shows como Trestosterona, Deboshow, Clube da Comédia, Comédia em Pé (Rio de Janeiro), entre outros.“O assédio a um comediante  é muito gostoso. Prefiro chamar de calor humano! Adoro sentir que estou no caminho certo…a não ser quando vem nego bêbado querendo me apertar”, brinca.

Como todo bom humorista, rir de si mesmo é sempre recomendável. “Eu já fui várias vezes motivo de piada. Um comediante não é, na minha opinião, o malandrão do pedaço ou gostosão, e sim o trapalhão que se mete em várias situações desconfortáveis e consegue tirar o humor daí”, conclui.

Foi assistindo ao Programa do Jô, que conheci Fabio Rabin, um judeu que se inspira em características típicas judaicas para escrever seus textos e fazer piadas. Procurei por Rabin no Facebook, fiz o contato e ele topou conceder uma entrevista exclusiva ao Nosso Jornal. Legal, não? Então vamos a ela…

. O humor que você faz tem alguma inspiração no humor judaico ?

-Tenho ídolos que por acaso são judeus sim como Seinfield e Woody Allen. Vejo um estilo, no modo de falar do judeu, a maior parte dos meus amigos judeus é engraçada,  mas isso não significa que o judeu tem um dom pro humor, embora vários façam. Inclusive para construir minha carreira no teatro saí bem do meu circulo de amizades com judeus. Apenas uso minha religião para me apoiar em alguns estereótipos e fazer piadas.

. O Stand Up Comedy é um novo conceito de humor e com muitos humoristas atuando na internet, teatro e televisão. Há quanto tempo você começou e quais foram as principais dificuldades em conquistar o seu espaço dentro dessa grande concorrência? Algum diferencial?

-Comecei há mais ou menos 7 anos. Naquela época não havia bares ou teatros que recebiam bem o gênero, então a gente tinha que entrar no intervalo de alguma banda de rock e se apresentar. Ninguém tava lá pra nos assistir e nossa missão era conquistar o espaço, e quem sabe sair aplaudido. Hoje conquistamos nosso espaço. Acredito que no meu caso meu lugar ao sol venha da originalidade do meu texto e do meu jeito. Não copio ninguém em nada. Apenas sou eu.

. Você é quem escreve os seus textos? Onde busca as ideias?

-Escrevo tudo o que digo. Busco ideias no cotidiano, na minha vida e nas observações daquilo que aparece em jornais, ou comentam na internet.

. Qual é o perfil do seu público?

-Comecei fazendo mais pra jovens, hoje meu público está além de jovens pais de família, então acredito que tenha um público bem amplo, de 10 a 50 anos….fora as coroas taradas…mas isso não vem ao caso.
 
fabio rabin1. O que mais faz rir hoje no Brasil?

-Minha filha.

. Você sempre trabalhou com o humor ou já teve outro tipo de trabalho? Em caso positivo quando e como se deu a mudança?

-Teatro, eu era pra ser um ator sério de drama, mas precisei ganhar dinheiro e não conhecia nenhum diretor amigo, então encontrei no humor uma forma mais justa de aprovação, a plateia. Fiz relações internacionais também mas jamais trabalhei com isso, apenas fazia pra acalmar meus pais.
 
. É possível viver de humor no Brasil?

-Sim, é possível! Desde que você trabalhe bastante!

. Você já criou algum personagem? Quais e a partir de que ideia?

-Criei vários! Tem o Mourão que é o pior comediante do mundo, criei, com ajuda da Lilian que era da MTV, ela era uma espécie de chefa por lá…com ela criei o Mourão, o Velho, o Primeiro Homofóbico da História, fora isso tinha o Péricles, um nerd psicopata, o Hincle Brasileiro uma homenagem ao Chaplin e o Ribeiro, que era um gordão porco, uma homenagem ao meu amigo falecido Márcio Ribeiro que ajudou demais na minha carreira!

. Já fez show no Rio de Janeiro?

-Fiz alguns shows no Rio, mas apenas com grupos,  fiz com meu grupo de SP Comédia ao Vivo, também participei algumas vezes do Comédia em Pé e de outros shows como o Zenas Improvisadas aí, porém a pauta pra solo no Rio é muito difícil, de modo que o Rio e o Acre são os únicos dois estados do Brasil que não me apresentei sozinho.

. Alguns humoristas dizem que no humor vale tudo. Até piadas pejorativas. Você concorda com isso?

-No humor vale tudo! Sim! Mas na resposta da plateia também! Eu quero uma plateia viva! Que riam se for engraçado, vaiem se for sem graça e que partam pra cima se ficarem ofendidos. Assim todos evoluímos. Agora existe uma patrulha chata do humor, que não sei de onde vem. Pessoas infelizes que não entendem o que é piada e saem processando e difamando o humorista. Por outro lado existe o humorista incompetente que ofende sem ser engraçado.

. Topa vir ao Rio para um bate-papo com a comunidade judaica promovido pelo Nosso Jornal?

-Como todo bom judeu, pagando bem eu vou!

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