Vou de táxi

Manhã de terça feira agitada pelas idas e vindas ao supermercado, por conta da aproximação de Pessach. Ainda por cima, um almoço marcado com uma grande amiga em Copacabana, aproveitando outro compromisso assumido, no início da tarde nesse bairro.

Compras guardadas, banho tomado, saio apressada do Leblon, desde logo, eliminando a possibilidade de pegar o metrô, já que teria um longo caminho a percorrer e o sol estava de rachar.

O meu waze pessoal sempre aponta a beira do mar, como melhor alternativa para fazer o trajeto Leblon / Copacabana. Pelo menos, é sempre mais agradável. Assim, faço sinal para o primeiro taxi, que surge no horizonte, e já acomodada, dou boa tarde para o motorista.

Não me lembro se ele era velho ou novo, se era branco ou pardo, o que me impressiona, desde que falo o meu destino, é a beleza da música que estava tocando naquele momento. Viramos em direção à praia e tendo como cenário o marzão azul das praias do Leblon e Ipanema, me peguei cantarolando algumas joias da Música Popular Brasileira dos anos 60.

Como num mergulho na minha história, fui acompanhando o cantar de João Gilberto, Tom Jobim, Edu Lobo, Chico Buarque, Pixinguinha, João Bosco, Elis Regina e Nara Leão. Cada música, naquele taxi, me transportava aos diferentes cenários e enredos, em que vivi essas canções.

A melancolia pela saudade dos tempos em que vivia sem lenço, nem documento, se misturava com a felicidade de ter sido privilegiada, por fazer parte de uma geração, que se encantou com essas vozes, que faziam parte do nosso cotidiano. Quantos casos de amor e desamor, do meu tempo, tiveram como fundo musical as criações desses magos inspirados e inspiradores.

Nem o gigantesco engarrafamento da Avenida Atlântica, nem os cinco caminhões azuis da AMBEV, descarregando os seus produtos, me tiraram o bom humor. Pelo contrário, só fizeram prolongar esse momento mágico, que se encerrou na esquina da Santa Clara, ao som de “O bêbado e o equilibrista”.

E escutando essa música de João Bosco e Aldir Blanc, na voz de Ellis Regina voltei à realidade dos dias de hoje, quando tanta gente se fazendo de bêbado, prega uma volta ao passado, que, quem viveu, e tem memória, não quer viver de novo.

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