Viva o Paquetá!


A coisa aqui tá tão preta, como já alertava o Chico Buarque numa época antiga de trevas, que a primeira boa notícia da semana foi a convocação do Lucas Paquetá para o time de reservas da Seleção Brasileira de futebol. A segunda é ver o rubro negro no primeiro lugar do Brasileirão. Inacreditável mesmo.

Falando do esporte bretão, como diria os antigos radialistas, a menos de vinte dias da Copa do Mundo, alguém sabe de cor a escalação da equipe nacional? Nem o álbum de figurinhas acendeu o interesse da garotada pela seleção canarinho. O negócio era conseguir trocar as figurinhas mais raras, para completar o álbum, independente do time.

Tudo isso me soa muito estranho, pois sou de uma época em que éramos noventa milhões de técnicos de futebol em ação. Todo brasileiro tinha a seleção ideal na cabeça. Hoje somos um povo sem autoestima até para palpitar sobre os nossos craques. Talvez, por que, também, a grande maioria deles atua em terras estrangeiras.

Imagino a preocupação do mundo da publicidade e das mídias, que investiram fortunas na transmissão da Copa na Rússia. Nunca prognosticaram, nem no mais terrível dos seus sonhos, terem que disputar espaço, na programação, com as autoridades nacionais, que não se cansam de bater cabeças no Planalto, enquanto os caminhoneiros batem o bumbo nas estradas. Pobre população brasileira, refém da incompetência de uns e da incúria dos outros.

Usando e abusando da linguagem de Nelson Rodrigues, visualizo a baba de satisfação, os olhos esbugalhados, a esfregação de mãos da extrema direita e da extrema esquerda, que pululam no país, satisfeitas com a situação vigente, do quanto pior melhor para a radicalização.

Aguardo, por ser previdente, com o tanque cheio, como a cunhada do presidente, o desfecho de mais essa crise, com a desesperança de que não estou enxergando, a curto ou médio prazo, uma luz no final do túnel.

Mesmo sabendo, que nem sempre uma luz no fim do túnel é a solução, porque pode ser apenas os faróis de um caminhão.

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