Terremoto na política israelense


Este ano completo 47 anos de vida em Israel. Para um país jovem, que vai cumprir em abril (segundo o calendário judaico) 70 anos de existência, um pouco mais de 67% do total de anos, é bastante para me permitir fazer um balanço entre as minhas expectativas e a realidade que tenho vivido.

A minha análise é diferente de quem nasceu aqui há 70 anos ou de outro que veio na mesma época que eu, porém mais jovem.

Chegamos em Israel em 1971, meu marido, David e eu, já adultos, ambos médicos com mais de 15 anos experiência de trabalho no Brasil com dois filhos adolescentes, economicamente, independentes, portanto livres para comprar imóvel sem depender de ajuda governamental e com maior facilidade de se integrar profissionalmente.

Este prólogo serve apenas para demonstrar que em poucos meses estávamos trabalhando, morando em casa própria, vivendo o dia dia do país.

Mesmo em períodos de paz, Israel está sempre com uma tensão que se sente no ar, nos noticiários, nas conversas: quem foi convocado para “miluim” , por quanto tempo , para que tipo de serviço etc.

E realmente em outubro de 1973 já estávamos passando pela experiência da 1ª guerra – Yom Kipur – que deixou um trauma muito forte na população, que se sente até hoje.

Crises políticas sempre existiram desde os primeiros dias de governo de Ben Gurion, que atravessaram períodos de conflitos bélicos como em 1954 no Sinai, em 1967 com a Guerra dos Seis Dias que deixou o país perplexo com o sonho de grandeza realizado, mas com perdas humanas que não são esquecidas.

O período pós-guerra de 1967 foi dos mais conflitantes do ponto de vista ideológico e político com o problema dos territórios conquistados ou libertados, dependendo de quem fala, anos de instabilidade social da população árabe sob domínio israelense e ebulição regional com os países árabes vizinhos.Esta situação de conflito gerou a guerra de Yom Kipur.

Apesar das crises políticas, conflitos militares, problemas entre a população judia e árabe nas áreas ocupadas, Israel conseguiu manter seus sistemas de governo funcionando dentro dos princípios democráticos, legais e éticos.

Os políticos, prefeitos, ministros, não estavam nas manchetes como suspeitos de corrupção. Os partidos membros das coalizões que sempre existiram nos governos de Israel, principalmente os religiosos, recebiam seus orçamentos especiais, mas nada escandaloso, sem coerção religiosa radical.

Os maiores conflitos após a guerra de Yom Kipur foram consequentes aos inquéritos judiciais que julgaram ações militares que redundaram em perdas humanas e os responsáveis foram julgados, tanto militares como os políticos.

Foi triste acompanhar o desenrolar dos debates, o luto das famílias, a queda de líderes, mas você se orgulha de viver num país onde o respeito às leis, aos direitos humanos e aos princípios éticos e morais direcionam o caminho.

Em 1977, depois de anos de disputas políticas, pela primeira vez em Israel, o partido Likud venceu as eleições e Menchem Beigin assumiu o cargo de primeiro ministro.

A 1ª guerra do Líbano, iniciada em 1982, levou Beigin a renunciar em 1983. Nos anos que se seguiram, com a entrada de novos parceiros no jogo político, ainda não havia muita poluição no ar.

Mas quando Sharon, seguido de Olmert e Netanyahu entraram na arena política, as regras mudaram. Não sou inocente em pensar que nos anos anteriores um ou outro não tenha sido envolvido em corrupção , nem vejo os fatos pelo prisma político , vejo apenas o lado ético .

O escândalo da Ilha Grega que envolveu Sharon e seus filhos , o elefante branco construido em Jerusalém que levou para a cadeia o prefeito e o engenheiro da cidade, altos funcionários e construtores além de Olmert, que já era então primeiro ministro, sacudiu as bases normativas do país.

Nada semelhante havia acontecido até então. A entrada de Netanyahu no cenário político foi acompanhada, desde o início, por manchetes típicas de colunas sociais e mexericos.

Ora divergências com a empregada doméstica da casa particular do casal em Cesareia, ora com eletrecista que prestou serviços, continuando com a empresa de mudanças encomendada para transportar móveis e utensílios domésticos, problemas que chegaram aos tribunais.

À medida que Netanyahu aumentava a sua influência política dentro do Likud, na mesma medida deixavam o partido ex-ministros e deputados que haviam sido colaboradores de Beigin e Shamir. A nata do partido.

Enfim, Netanyahu usou de toda a sua capacidade intelectual e política para firmar-se no poder dentro do partido e na disputa eleitoral, o que fez com muito êxito pois sua meta era se manter no poder.

Seria ótimo para o povo, país e ele próprio, se usasse todos os seus dons em benefício geral, mas que não envolvesse tantas pessoas num mar de trapaças, Bibi Tours e presentes no valor de 1 milhão de shekalim .

Há quem diga que não é necessário processar um primeiro ministro por causa de charutos cubanos ou algumas garrafas de champangne rosé francesa. Sim , não são os charutos apenas. Quem deu 1 milhão de shekalim em presentes recebeu vantagens que custaram muito mais aos cofres do país.

Eu e outras milhões de pessoas estamos atordoados . Como uma pessoa só, nem sempre, em muitos casos Sarah está envolvida também, pode arrastar tantos para um mar de corrupção, suborno?

A cada hora ouvimos no noticiário que mais um foi detido, que juizes são chamados durante a madrugada para conceder prorrogação de prisão.Não são eletricistas nem domésticas. São assessores de imprensa, consultores políticos e estrategistas, gente de gabarito, ex diretores gerais de ministérios, empresários, todos ligados a Netanyahu.

O dono da Bezek, a maior empresa de comunicação de Israel, está na cadeia, o filho, gerente geral da empresa, a esposa e outros familiares estão sob processo em prisão domiciliar, são todos diretores da Bezek.

No sábado, Moshe Lador, ex –Procurador do Estado, declarou que Netanyahu não pode continuar no cargo, tem que ser afastado. Esta é a voz corrente. Não estamos em regime monárquico. No regime parlamentar, o primeiro ministro não é eleito diretamente.

O partido que recebe a maioria de votos, escolhe entre os seus eleitos o primeiro ministro, portanto, não é como os protetores de Netanyahu querem enganar o povo. O likud pode escolher outro deputado para substituí-lo, sem ser necessário antecipar as eleições.

Ninguem quer tirar o Likud do governo, querem apenas trocar Netanyahu, querem tirar a maçã podre que está apodrecendo a caixa toda.

As manchetes são: TERREMOTO!!!

Não acredito que depois de 47 anos, esteja presenciando esta deteriorização governamental por causa de um político sem fronteiras.

Acredito no sistema judicial de Israel, acredito que o Consultor Jurídico do Governo, Mandelblit terá a coragem de dizer que o primeiro ministro em função está sendo acusado de corrupção em vários graus.

Na próxima 6ª feira, Netanyahu será interrogado pela sétimas vez . Alguma coisa tem que acontecer para provar que Israel, que o povo, anseia por um governo que respeite as leis, não só as imponha aos cidadãos, que respeite os direitos humanos, os princípios morais e éticos que são a base do judaismo e da democracia.

Tudo isso está escrito na Meguilat Haatzmaut –Declaração de Independência que é a Constituição de Israel.
Esta turbulência tem que terminar. Já!

PRESENTE INESPERADO
Poucos minutos antes da entrada do Shabat, Israel foi surpreendido com o anúncio do Departamento de Estado Americano , que a Embaixada Americana em Israel será transferida para Jerusalém, em 14/05/2018 – no dia da Criação do Estado de israel. Um presente especial para os 70 anos de Independência!

A embaixada será instalada no prédio onde funciona atualmente o Serviço Consular em Jerusalém, no bairro Arnona, até que se encontre um local apropriado que possa receber todo o corpo diplomático que está alojado em Tel Aviv.

Provisoriamente o embaixador americano em Israel, David Fridman virá para Arnona acompanhado de uma equipe reduzida. Os serviços consulares continuarão a ser prestados como sempre no local e a embaixada em Tel Aviv, também, manterá suas atividades .

O governo de Israel está empenhado em convidar o presidente Trump para a inauguração da nova embaixada em Israel. Naturalmente os palestinos e também os turcos protestaram .

EXERCÍCIO MILITAR JUNIPER COBRA


Nos próximos dias, mais de 2.500 soldados americanos estarão desembarcando em Israel para participar de um dos maiores exercícios militares conjuntos com as Forças de Defesa de Israel –FDI.

Este mega exercício terá início em 4/3/2018 no sul de Israel e deverá durar duas semanas com a participação de 2.000 soldados israelenses do programa de defesa aérea .

Durante este período veículos militares transportando baterias antiaéreas e anti mísseis estarão circulando pelas estradas como parte do exercício.

O Tenente General Richard Klarck declarou que os EUA e Israel mantem uma colaboração militar baseada na confiança construida durante dezenas de anos entre os dois paises .

As FDI reforçam as palavras do Tenente General Klarck, acrescentando que a finalidade do exercício é reforçar a colaboração e o aprendizado mútuo entre os dois exércitos alem do aperfeiçoamento da capacidade de defesa contra as ameaças que são como caminhos íngremes .

Este é o maior exercício desde 2001.

Grande parte do exercício é simulação de um ataque de mísseis em grande escala sobre Israel e o exército americano está pronto a ajudar Israel a interceptar estes foguetes .

Pela primeira vez será usada a Funda de David, que é uma modelagem computorizada de possíveis ameaças, além dos anti mísseis Patriot e Doma de Ferro.

As forças americanas que participarão do exercício, pertencem ao Comando Europeu do exército americano que tem por finalidade fortalecer a integração militar americana na região.

Creio que Hesbollah, Irã e outras milícias terroristas que há 7 anos estão atuando na Síria receberam uma mensagem bastante explicativa.

ESTE POVO É MESMO ESPECIAL


Sábado à noite, na zona sul de Tel Aviv, 20 mil pessoas se reuniram para protestar contra a deportação dos refugiados africanos !

Só neste país, numa hora em que o povo não sabe em quem acreditar diante da onda de corrupção que se abateu sobre todos faz uma pausa com os seus problemas e vai às ruas para defender os direitos dos refugiados africanos, ameaçados de deportação para os seus paises de origem ou para outro país africano que concorde em recebê-los .

Este é o povo a que quero pertencer .

SHALOM ME ISRAEL

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