Sonho meu, sonho teu, sonho nosso


Ouvir o toque do Shofar, no primeiro dia de Rosh Hashaná, assim como os nossos antepassados em torno do Monte Sinai, há mais de 3300 anos. Escutar os mesmos sons, que foram ouvidos no primeiro e no segundo Beit Hamigdash, assim como nas sinagogas incendiadas da Europa na Inquisição e no Holocausto.

Se emocionar até as entranhas, que restavam, ouvindo o shofar no início de um novo ano, no inferno de Aushwitz. Vibrar muito com o som do Shofar na reconquista do Estado de Israel e de Jerusalém, no século XX.

Continuar cumprindo essa mitzvá nos tempos de hoje, na diáspora, cercada por filhos e netos, desejando para todos um mundo real mais igual, mais justo e mais pacífico. Sem fome, guerras, refugiados e escravos.

Ansiar por viver em um país, unido em torno do bem comum. Mirar um céu, sem nuvens anunciadoras de catástrofe iminente. No horizonte, democracia sempre. Educação, saúde e saneamento básico de qualidade para todos os seus cidadãos. E os seus imigrantes.

Na ordem natural das coisas, conseguir para a maioria trabalho digno e bem remunerado. Um sistema de previdência que garanta uma velhice tranquila, parecido com o pensado para as suas excelências do poder legislativo, executivo e judiciário.

Uma sociedade comprometida com o futuro de suas crianças. A volta da ocupação das ruas pelas brincadeiras de roda e pelos carrinhos de rolimã. As conversas dos bares e botequins retornando para o entorno das casas. O celular como meio de comunicação e não de isolamento.

Uma cidade sem muros, sem grades, sem guardas, sem armas. Hortas sem agrotóxico. O balanço das ondas, o trinar dos pássaros e o balançar das árvores, como sons a serem ouvidos em todos os bairros.

Uma rua mais limpa, um ar respirável, rios e mares sem poluição. As jangadas indo e vindo carregadas de peixes. As gaivotas fazendo voos rasantes, agitando as redes de pesca. Gentileza gerando gentileza.

A natureza preservada. Nascentes cristalinas. A agricultura e a pecuária sendo menos negócio e mais qualidade de vida. Um interior mais centrado no bem estar de sua população. Energia renovável.

A tecnologia correndo contra o tempo. Um tempo mais marcado pela colaboração do que pela competição. A construção de pontes como prioridade. O contraditório fomentando o diálogo. O combate implacável aos vírus e bactérias, que desafiam a medicina contemporânea, com a mesma desenvoltura com que os especialistas combatem os hackers dos bitchcoins.

Os modos de ser e de ter da nossa juventude, ditados menos por influenciadores digitais e mais pelo núcleo familiar. A escola e os professores capacitados para formarem cidadãos autônomos, críticos, construtores de um mundo melhor para o amanhã.

O sagrado e o profano como opção individual. O acolhimento como atitude coletiva. A solidariedade como amálgama da gente de nosso planeta.

Shaná Tová Umetuká!

 

*Os meus sonhos ficaram bem chamuscados pelo incêndio do Museu Nacional. Mas, ainda guardo a esperança de que dias melhores virão!

Um comentário

  1. Manoel Adler
    Manoel Adler 4 de setembro de 2018 at 22:25 |

    PARABÉNS SARITA
    Lindo e verdadeiro o seu artigo.

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