Se o Egito estiver em você

Saímos do Egito há mais ou menos 3.300 anos, sob a liderança de Moshé, guiados pelo poder divino. Em nosso caminho para a liberdade, o mar se abriu para a gente passar. Vagamos pelo deserto, comemos o maná, construímos o bezerro de ouro, recebemos a Torá e uma nova geração, por seus méritos, entrou na Terra Prometida. E desde lá, repetimos todos os anos, no final da leitura da Hagadá de Pessach:

– No próximo ano em Jerusalém.

E cada vez mais essa promessa, esse desígnio se faz verdadeiro, principalmente ao nosso redor.

Assim, continuamos a sair, fisicamente, do Egito, mas será que o Egito saiu de cada um de nós? Não é à toa que o pai da psicanálise tinha que ser judeu. A nossa autocrítica exacerbada nos aprisiona e nos divide, ao invés de nos libertar.

Aproveite, pois, o tempo de Pessach, que traz a primavera, a renovação e tente transformar o teu mundo interior, que vai se refletir em qualidade de vida para todos, que vivem próximos de você. Desista de ser o arauto dos tempos ruins, o dono da verdade, o que só acusa, o que inveja, o que magoa, o que não aceita o sucesso do outro.

A cada copo de vinho, que você beber no Seder, olhe para cada uma das pessoas queridas, que compartilha a tua mesa e se pergunte se elas não merecem uma vida mais construtiva e mais colaborativa.

As três matzot, que ficam cobertas, sobre a mesa, representam as três tribos do povo judeu, que se respeitam e atuam sempre juntas. A narrativa dos quatro filhos deve te lembrar que podemos ser diferentes, mas que temos o mesmo valor. Aceitar a diversidade e respeitar o ponto de vista do outro faz parte do processo civilizatório. Desde sempre, tivemos o livre arbítrio para tomar as nossas decisões e arcar com as consequências de nossos atos.

Não interessa se você é intelectual de esquerda, de direita ou de centro. Se você é ortodoxo, reformista, conservative ou ateu. O que interessa são as tuas ações, que devem ir além de postar fake ou true news nas redes sociais. Elas duram segundos e só fazem inflar os egos.

Lembre-se dos que têm fome, que faz parte do ritual de Pessach. Tome a decisão de trabalhar por instituições que cuidam dos nossos necessitados. Tal atitude vai, com certeza, te tornar uma pessoa mais tolerante, menos exigente com a tua própria vivência e a dos outros.

E para finalizar com mais uma temática do Seder. Eu, se fosse você, recitaria o Daienu com convicção, reconhecendo que só o fato de você existir com saúde, mantendo a tradição de Pessach com a sua família, bastaria para te fazer uma pessoa melhor.

A todos, Pessach Casher Ve’ Sameach!

Um comentário

  1. denise
    denise 27 de Março de 2018 at 14:13 |

    Parabéns Sarita por ter sempre sábias palavras contando a nossa história e lembrando as nossas tradições. Pessach Casher Ve’Sameach para você e família.

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