Rogério Jonas Zylbersztajn z”l

Aos 58 anos, o empresário Rogério Jonas Zylbersztajn, um ícone da comunidade judaica carioca perdeu a vida e entristeceu, ainda mais, o final desse mês de outubro, marcado por agressões e atentados contra judeus no Brasil e no mundo.

Filho único de Marcos Leib e Raquel Zylbersztajn, Rogerinho, como era carinhosamente chamado pelos amigos, era flamenguista fanático e costumava levar o pai para assistir aos jogos no Maracanã.

Desde garoto já era uma liderança. Com 20 e poucos anos, foi diretor de juventude da Hebraica, onde se destacou pelo carisma e era admirado por todas as gerações.

Graduou-se em engenharia civil na Universidade Santa Úrsula e fundou a RJZ em 1985. Após muitos anos de atuação no mercado imobiliário, recebeu o título de empresário do ano em 2001, concedido pela Ademi-RJ, e de Cidadão Benemérito, em 2004, pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro, entre outras honrarias.

Seus primeiros edifícios foram obras por administração na zona norte, Recreio e Barra da Tijuca, nas quais teve como clientes amigos de seu pai que era um próspero comerciante.

Depois migrou para a zona sul, com imóveis de médio e alto padrão e avançou com prédios maiores para Botafogo e pelo subúrbio.

Desde cedo, revelou um talento comercial inato para comprar terrenos – não importava a complexidade – e fazer parcerias, frequentemente, ficando amigo das pessoas com quem fazia negócio.

Em 2010, quando foi homenageado por Gerson Bergher com a Medalha Tiradentes, condecoração mais importante concedida pela Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), confessou estar profundamente emocionado com a medalha: “Quero dedicar a medalha a minha mãe Raquel e ao meu pai Marcos. Nada torna uma pessoa mais feliz do que trabalhar com que se gosta, morando onde se gosta. Acredito que é um reconhecimento pelo meu trabalho. Erguer um valor é ajudar na construção de um ser humano melhor. O sonho da justiça social está por trás das obras e até dos lucros (20% doado para a caridade). A Cidadania está em uma grande obra que não poupa esforços”.

‘Rogério é um cidadão do Rio, um verdadeiro self made man. Trabalhando 70 horas semanais, fez da RJZ uma das empresas mais respeitadas da cidade’ – ressaltou à época, a vereadora Tereza Bergher na introdução da cerimônia.
Osias Wurman, Cônsul Honorário de Israel, lembrou nesta ocasião, que o bom nome não se copia: “O bom nome se constrói, tijolo a tijolo. É o que Rogério Jonas faz a cada dia. A maior obra da RJZ não é visível, pois é a caridade”.
Ao longo de toda sua vida teve como amigo inseparável seu maior concorrente no mercado de incorporação do Rio, Rogério Chor. Rogerio foi padrinho de casamento de Chor.

Flávio Stanger, ex- presidente do Conselho Deliberativo da FIERJ disse que sempre buscava os conselhos de Rogerinho, que havia ocupado o mesmo cargo antes.

“Ele foi meu grande confidente, meu grande advisor. Ele sempre foi um cara muito sensato, muito tranquilo, sempre buscou a conversa, a negociação, que é o que fez dele um grande empresário. Sempre buscava a paz, o respeito às minorias, uma palavra para fazer duas pessoas que estavam em litigância chegar a um acordo.”

Rogerinho frequentava a sinagoga Beith Lubávitch, no Leblon, bairro onde morava. Ajudava o Lar da Esperança, que alimenta pessoas carentes na Tijuca, e inúmeras sinagogas, escolas e centros culturais.

“Ele não dizia ‘não’, mas nunca fez propaganda disso, e ajudava não só com dinheiro mas também com seu tempo para estruturar projetos,” disse Arnon Velmovitsky, o presidente da Federação Israelita do Estado do Rio.

Nos últimos anos, Rogerinho também se envolveu com o projeto de um Memorial do Holocausto no Rio, que está começando a sair do papel. Michel Gottlieb, seu braço direito, será o diretor financeiro do Memorial.

O maior legado de Rogério Jonas Zylbersztajn não foram os mais de 1 milhão de metros quadrados que sua RJZ Engenharia lançou no Rio de Janeiro. Com discrição, era um generoso ativista comunitário, apoiador de causas na área da educação e igualdade social . Um superempreendedor, que repartiu o que ganhou com quem mais precisava.

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