Revelação de um segredo

Elhud Olmert

Em 2007, no governo de Ehud Olmert,  Israel ainda estava com as cicatrizes abertas da 2ª guerra do Líbano (2006)  e o primeiro ministro, o seu gabinete e as forças militares não estavam bem cotados entre o povo.

A guerra havia terminado por intervenção da ONU, sem a marca de uma vitória decisiva. O número de caídos foi grande, a tristeza das famílias enlutadas pesava no ar.

De repente, no dia 6 de setembro, Israel desperta com um noticiário histérico: durante à noite, o reator atômico sírio foi bombardeado e destruido até as raizes, por aviões israelenses, segundo as fontes de informação internacionais.

Que reator atômico é esse que nunca ouvimos falar? Como Israel iria destrui, se existisse, o reator sírio? Seria declarar guerra à Síria quando ainda estamos chorando os mortos da 2ª guerra do Líbano?

Em Israel, silêncio absoluto. Como se todo o tumulto da mídia internacional fosse algo que não havia acontecido. O governo sírio também se manteve calado, a imprensa síria publicou uma nota oficial informando que um depósito sem uso, havia explodido, nada importante.

Passaram -se quase 11 anos e no início da semana passada, depois de um fim de semana de terror, Israel desperta com uma explosão de notícias que nos levou de volta a setembro de 2007, mais exatamente, à noite, entre 5 e 6 de setembro, quando oito aviões de combate da Força Aérea de Israel, numa ação audaciosa, ímpar na história militar de Israel, destruiram um reator atômico em final de construção, a 450 km ao norte de Damasco, a capital síria.

Todas as fontes de informação israelenses transmitiam sem intervalos, mais e mais detalhes do que aconteceu naquela noite e durante os 6 meses de discussões no gabinete de segurança, que precederam o bombardeio do reator nuclear na Síria e não reator sírio, pois na verdade era um reator atômico norte-coreano. Apenas o território era sírio.

A Coreia do Norte, que estava sob vigilância severa do serviço de informações americano, não podia dar seguimento ao seu projeto atômico em seu território, pois seria detectado pelos americanos. A solução seria construir em outro local, abaixo do radar americano.

Durante 7 anos, todos os serviços secretos importantes do mundo, incluindo os dos Estados Unidos e de Israel, falharam e não descobriram a enorme construção, à ceu aberto, no deserto de Dir-a-Zur, que em pouco tempo seria um reator apto a produzir plutônio.

Em fins de 2006, Meir Dagan (z”l) , então chefe do Mossad, trouxe ao conhecimento do primeiro ministro Olmert, as suspeitas que fotografias conseguidas também através de operações audazes na Europa, despertavam – um reator atômico na Síria, a 500 km da fronteira com Israel.

Reator atômico  antes da explosão

Reator depois da explosão

Entre dezembro de 2006 a setembro de 2007 desenrolou-se uma guerra entre os integrantes das forças relevantes, governo, exército, Mossad e Aman (agência militar de informação ), para decidir o que todos sabiam que teria que ser feito: destruir o reator.

O grande problema que criou um grande dilema era a possibilidade de uma nova guerra, que poderia ser iniciada sem aprovação de todo o governo, pois os debates decorreram em segredo absoluto dentro do gabinete de segurança.

Outra dificuldade era conseguir apoio do governo americano, que se negou a realizar a tarefa à pedido do governo de Israel. Seria bem mais fácil para os americanos realizar a operação, pois não haveria risco da Síria atacar os Estados Unidos .

Bush era o presidente na época e foi muito franco com Olmert: o conselho de segurança nacional vetou o programa, mas ele, pessoalmente, deu as bençãos a Olmert.

Ehud Barak, que era o ministro da defesa  foi contrário ao plano que Olmert e os chefes militares vinham delineando há meses. Somente quando o Mossad e Aman trouxeram as provas de que o reator estava na fase final da construção, pois a ligação da canalização da água do rio Eufrates para resfriamento das centrífugas estava pronta, Barak aceitou as evidências e o gabinete de segurança aprovou a operação que foi realizada na mesma noite.

Como que um segredo de tamanha proporção conseguiu ficar intocável durante quase 11 anos? Inacreditável. A censura permitiu a revelação de parte da operação, que inclusive foi abordada na autobiografia de Olmert, lançada à venda esta semana.Existem detalhes que ainda estão censurados. Um dia serão revelados.

A FAMÍLIA SOB INQUÉRITO


Na 2ª feira, o primeiro ministro Benjamin Netanyahu foi novamente inquerido no processo ligado à sua atuação junto ao dono do maior número de ações da Bezek – a maior empresa de telecomunicação de Israel- Shaul Alovitz .

Netanyahu prestou depoimento na sua residência durante mais de 4 horas e, paralelamente, sua esposa Sarah e o filho Yair foram inqueridos no departamento Lahav 433 da polícia, envolvidos no mesmo processo durante 6 horas.

Em salas contíguas, foram interrogados o próprio Alovitz, sua esposa, a gerente geral da Bezek e dois reus delatores, além de um novo acusado, ex-chefe de gabinete de Netanyahu, durante longas horas.
Corrupção é um mal contagioso.

TENSÃO NA FRONTEIRA DE GAZA
A situação na fronteira com Gaza, chegou a níveis imprevisíveis na noite de domingo, quando o sistema de intercepção de foguetes Domo de Ferro, registrou disparo de projeteis em direção a Israel e lançou vários mísseis e simultaneamente acionou o sistema de alarme – toque de sirenes, que assustou a população israelense da região. Tudo isso em 5 segundos.

Depois ficou claro que não foram disparados foguetes contra Israel, mas a sensibilidade do sistema detectou disparos de metralhadoras pesadas durante um treinamento do ramo militar do Hamas.

As FDI ( forças de defesa de Israel) estão em expectativa com relação aos planos do Hamas de incitar milhares de cidadãos de Gaza a participar de uma manifestação gigante ao lado da cerca de segurança na fronteira com Israel, no próximo dia 30/3, que assinala para os palestinos o “Dia da Terra”.

Não se sabe exatamente qual é o modelo da manifestação: se será pacífica ou se haverá tentativa de transpor a cerca, redundando num conflito com potencial de violência.

Centenas de tendas estão sendo montadas a 500 metros da cerca  para abrigar famílias inteiras, pois a intenção é de permanecer no local até 15/5 , o dia da Nakba (desgraça) considerado pelos palestinos na data da Independência de Israel.

Em 30/3, a próxima sexta- feira, os judeus estarão comemorando o 1º Seder de Pessach, mas em Israel, todos os combatentes tiveram suas licenças de férias em Pessach canceladas.

Chag Sameach é a brachá (benção); que seja possível;  é a tfilá (oração).

SOLIDARIEDADE COM OS AFRICANOS
No sábado à noite, mais de 20 mil manifestantes participaram do protesto contra a expulsão dos refugiados, infiltrados, seja o que for, africanos, oriundos da Eritreia e Sudão, principalmente.

Apesar da decisão judicial, a solidariedade do povo que teve um passado de perseguições que culminou com o Holocausto  é inebalável e as manifestações continuam, semanalmente, na tentativa de mudar o destino dos refugiados.

OS PRÓXIMOS SHOWS EM ISRAEL: PREPAREM AS MALAS
Em 25 de maio, Enrique Iglezias virá cantar e encantar os israelenses com o seu Sonho Espanhol  no Parque Hayarkon em Tel Aviv. Será a sua 4ª visita a Israel, depois que em 2011 superou o cume de vendas de ingressos.

Em abril, Belinda Davis vai ser a estrela do concerto do The Whitney Hous ton Show, em Tel Aviv e Haifa.Don MacLean vai se apresentar em junho! E os ingressos já estão à venda.

A lendária banda de rock, Foreigner, também, chegará em maio, mas no princípio do mes, 5/5.

Em abril, a famosa cantora grega Glikeria vai cantar com a Filarmônica de Israel: reservem a data-14/4. E pela 1ª vez em Israel, This is Greece com  S. Xarhakos e A. Protopsalti e um conjunto de oito músicos, num programa direto da Acrópolis de Atenas.

Bem variada a programação para todos os gostos.
Venham!

MAIS UM “EXIT” DA TECNOLOGIA ISRAELENSE
A firma israelense Orbotech, criada em 1992 e sediada em Yavne, foi comprada pela KLA – Tencor americana pela insignificante soma de 3.4 bilhões de dólares.

A Orbotech começou fabricando equipamento para examinar/monitorizar chips e fabricá-los, chegando a se tornar a fornecedora deste tipo de mercadoria quase única no mercado mundial.

A firma não foi vendida para obter renda, pois em 2017 teve um lucro líquido de 142 milhões de dólares e é uma fábrica que mantem 2.634 empregados, dos quais 750 em Israel. A meta é crescer mais.
Kol Hakavod para a tecnologia de Israel !

DIVAGAÇÕES CLIMÁTICAS
Já escrevi algumas vezes sobre o tema, mas sempre volto a me espantar com o que para mim é uma verdade absoluta: o clima em Israel está ligado aos chaguim e não ao mês do calendário gregoriano.

Pelo visto a natureza é regida de acordo com o calendário lunar judaico, pois não importa se Pessach é em março ou em abril, sempre é precedido de uma loucura total no clima.

O fim do inverno chega mais cedo, começam os “hamsinim”- ondas de calor seco, ventos e tempestades de areia que sujam tudo que se limpou antes de Pessach. Temperaturas de 25 a 30 graus ou mais e quedas bruscas de 10 a 15 graus, chuviscos ou chuvas antes do chag, que sujam mais do que limpam.
Tenho dito.

Desejo a enorme família do Nosso Jornal, um Pessach alegre , feliz e kasher!
SHALOM ME ISRAEL

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