Raízes

Nesses tempos de incerteza, em que o próprio conceito de identidade trafega por areias movediças, ao sabor dos ventos e das correntezas, cada vez mais intensos e fugazes, penso, que cabe a vocês, pais e mães, recuperarem o sentido da criação dos seus filhos, a partir da preservação de nossas raízes.

Nesse contexto, a escola judaica é fundamental, por tudo que ela representa como experiência de vida para as crianças, enraizada em nossa história e tradições, atenta ao que se passa ao seu redor, encarando o mundo, baseada no humanismo, que impregna os valores judaicos.

A diversidade, característica definidora do próprio ser judeu, se faz presente através dos diferentes perfis, que são delineados, a partir de sua prática escolar e visão de mundo. Nesse sentido, aqui, no Rio, temos escolas judaicas mais ou menos religiosas, mais ou menos sionistas, mais ou menos conservadoras, mais ou menos profissionalizantes, mais ou menos tecnológicas, mais ou menos liberais, mais ou menos bilingues e assim por diante.

Só se igualam no esforço de perseguir a excelência acadêmica, comprovada através do êxito obtido por seus alunos em competições regionais e nacionais, nas mais variadas áreas de conhecimento. Além da formação de profissionais de renome por várias gerações.

Outro indicativo de sua qualidade é a disputa pelos seus melhores, para fazerem parte das peças publicitárias das instituições, que vivem de resultados, para angariarem alunos para os seus cursos.

Além da atividade entre os muros da escola, os meninos e meninas das escolas judaicas participam de programas, que ajudam a revolver, na adolescência, as raízes de sua identidade. Me refiro, em especial, à “Marcha da Vida”, jornada compartilhada, anualmente, por milhares de jovens de todo o mundo, que se inicia em Auschwitz e termina em Eretz Israel. São alguns dias, que ficarão para sempre, alimentando a memória e induzindo atitudes, diante dos desafios da vida adulta.

Mas, mais que tudo, as nossas escolas são espaços de convivência, que possuem o poder mágico de desenvolver amizades, que se eternizam pela vida toda. Passa a ser uma referência a turma e a escola que você frequentou no âmbito dos nossos relacionamentos.

Ao matricular o seu filho nessa escola, você estará dando, também, a ele a oportunidade de conhecer os movimentos juvenis que, através das atividades lúdicas e culturais vão estabelecendo vínculos com a nossa história e os nossos ideais, ao mesmo tempo, que potencializam o surgimento de novas lideranças comunitárias.

Ao vestir o uniforme da escola ou adotar a camisa do movimento, seja de que cor for, a sua criança vai ter a consciência de que ela se constitui num elo entre passado e presente, baseado na tradição e no poder de reinvenção de um povo, que insiste em existir por mais de três mil anos.

Em época de individualismo radical como o de hoje, escreve o rabino Jonathan Sacks, o judaísmo ensina que “não somos o que possuímos, mas o que compartilhamos; não o que compramos, mas o que damos; que há algo mais elevado que o apetite e o desejo nos chamando para fazer uma contribuição para o mundo”.

São essas as nossas raízes, que se expandem a partir do solo fértil das escolas judaicas, sempre de portas abertas. alimentadas por valores como a solidariedade, o amor ao próximo, o respeito ao outro e tantos outros, que fazem parte do ideário da nossa Torá.

Um comentário

  1. ALICE
    ALICE 22 de outubro de 2018 at 23:51 |

    Sarita excelente! Vamos continuar dando vida as nossas escolas e movimentos!

    Responda este comentário

Comente