QUEERMUSEU no Parque Lage

Cartografias da Diferença na Arte Brasileira

Chega ao Rio de Janeiro uma das mais polêmicas e censuradas exposições no Parque Lage, Queermuseu: Cartografias da Diferença na Arte Brasileira. São 223 obras que exploram a expressão e a identidade de gênero, a diversidade e a diferença na arte brasileira.

Nas cavalariças estão reunidos trabalhos de 84 artistas reconhecidos, como Adriana Varejão, Alair Gomes, Alfredo Volpi, Cândido Portinari, Efraim Almeida, Guignard, Gaudêncio Fidélis, Lygia Clark, Pedro Américo, Yuri Firmeza, Leonílson, entre outros. O curador Gaudêncio Fidélis reuniu obras que percorrem um arco histórico de meados do século XX até a atualidade.

Chamam a atenção dois retratos lado a lado, um pintado por Cândido Portinari, “Retrato de Rodolfo Jazetti”, de 1928, e o outro por Fernando Baril, “O Alterofilista”, de 1989. Entre uma pintura e a outra são 61 anos de diferença (essa forma de apresentação das obras é muito interessante).

Não foi fácil trazer a exposição para o Rio de Janeiro. Sua primeira apresentação, realizada no espaço Santander Cultural, em Porto Alegre, sofreu uma campanha difamatória em redes sociais onde grupos afirmaram que a exposição fazia apologia à pedofilia, à pornografia e à zoofilia, além de desrespeito a figura religiosa. Por isso ameaçaram boicotar o Banco Santander, que cancelou a exposição. A exposição aconteceria no Rio de Janeiro, no Museu de Arte do Rio (MAR), porém foi censurada pelo prefeito Marcelo Crivella, que declarou em um vídeo que a exposição só aconteceria se fosse “no fundo do mar”.

Para a realização da exposição, o Parque Lage fez uma campanha de financiamento coletivo, onde bateu o recorde de maior campanha realizada no Brasil chegando a marca de mais de 1 milhão de reais, com 1.678 de participantes.

A campanha recebeu o nome de “Levante Queremos Queer” e foi liderada pelo diretor-presidente da Escola de Artes Visuais, o economista e colecionador de arte, Fábio Szwarcwald.

Em fevereiro de 2018 teve o evento realizado em parceria com Dyonne Boy e Júlio Barroso, que contou com uma programação infantil oferecida por diversos grupos, como Afoxé Filhos de Gandhi e a Bateria da Mangueira. O assassinato da vereadora da cidade do Rio de Janeiro, Marielle Franco, mulher negra e homossexual, em 14 de março de 2018, como triste coincidência, antecedeu o show “Caetano contra Censura”, realizado no dia seguinte no Parque Lage, a fim de dar início ao leilão de obras para financiamento da exposição.

Segundo Szwarcwald: “deixei o mercado financeiro para mostrar que é importante a sociedade participar mais ativamente da gestão dos equipamentos públicos . É muito positivo trazer a experiência da iniciativa privada, o “crowdfunding” (financiamento coletivo).”

A arte é provocativa, polêmica. No Renascimento, quadros de nu artístico foram queimados em fogueiras, logo podemos concluir que trabalhos feitos há 40 anos e que escandalizaram o público não o fazem mais.
A Escola de Artes Visuais tem um importante papel desde sua fundação em 1975, em plena ditadura militar brasileira, fundada pelo artista plástico Rubens Gerchman, de trazer a vanguarda e a resistência e seu comprometimento inesgotável de expressão.

As obras podem ser vistas de segunda a sexta, das 12h às 20h, e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 17h. Até 16 de setembro.

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