Tecnologia israelense a serviço do mundo

O mundo inteiro acompanhou com expectativa o resgate de um grupo de meninos na Tailândia e, assim, como em tragédias anteriores pelo mundo, a tecnologia israelense faz toda a diferença na hora de salvar vidas.

As equipes de resgate que trabalham para salvar os garotos presos na caverna tailandesa estão usando sistemas de comunicação de alta tecnologia doados pela empresa israelense MaxTech Networks.

O CEO e fundador da MaxTech, Uzi Hanuni, informou que as equipes de resgate procuraram o representante da empresa na Tailândia, com aprovação das autoridades para a compra do equipamento, mas ele instruiu o representante a fornecê-lo gratuitamente.

A tecnologia desenvolvida pela MaxTech facilita a comunicação em áreas sem recepção e a empresa decidiu fornecer gratuitamente o material, que custa mais de U$ 100 mil.

Com apenas 70 anos de trajetória, Israel já desenvolveu a reputação de um dos maiores centros de inovação do mundo. As grandes multinacionais do Vale do Silício já se instalaram em Israel e não é incomum ouvir sobre a aquisição de uma ou outra startup israelense.

Google, Facebook, Microsoft e Intel são algumas das gigantes entre 300 multinacionais que já abriram centros de pesquisa e desenvolvimento neste país, empregando mais de 9 milhões de funcionários.

Mas o que faz de Israel um lugar com esse DNA de inovação?

Google

Don Dodge, um desenvolvedor do Google, diz: “Meu trabalho no Google é viajar pelo mundo e conversar com desenvolvedores, startups e investidores. Eu já estive em cada canto, China, Japão, Austrália, Europa, países nórdicos. Não existe nenhum outro país do mundo que pensa do mesmo jeito que nós do Google pensamos, além de Israel. É realmente a nação das startups. É um lugar especial, de se criar coisas”.

O Google, que possui sua sede em Mountain View, Califórnia, abriu seu primeiro escritório em Israel em 2006, quando tinha apenas cinco anos de vida. Hoje, a empresa emprega mais de 600 engenheiros no país, que trabalham diretamente em seu core business.

“Estamos falando de inovação, criatividade, enfrentar riscos para se ter uma boa percepção de como funciona o mercado. Isso é o que Israel faz, não é sobre o custo de mão de obra”, finaliza.

Facebook

Adi Soffer Teeni, o CEO do Facebook em Israel, disse que a companhia foi para o país pela primeira vez em 2013 e agora já possui um centro de pesquisas e desenvolvimento e um time que trabalha diretamente com empreendedores locais.

Quando questionado sobre o porquê Israel ser um lugar único para empreender, Teeni respondeu: “Existe talentos incríveis por aqui. Quando empresas se instalam no país, elas têm a oportunidade de contratar pessoas que pensam fora da caixinha, de um jeito bastante inovador. Algo acontece por aqui, há uma mágica e não é fácil de explicar exatamente o que é, mas todas as multinacionais que estão aqui se sentem em casa”, diz.

Intel

Roy Ramon, o diretor de operações do Intel Ingenuity Partner Programme, que ajuda startups a profissionalizarem e moldarem seus modelos de negócios, disse que a empresa emprega mais de 11 mil funcionários em toda região. A Intel se instalou em Israel há 42 anos e desde então vem rastreando o movimento de startups e negócios inovadores.

“A razão pela qual eu comecei esse programa de startups por aqui é porque quando você se encontra com uma delas, seus funcionários colocam o dedo na ferida e te contam exatamente o que você está fazendo de errado. Eles forçam você a sair da sua zona de conforto e estão fazendo isso por anos. São experts. Precisa de bastante coragem para uma startup chegar para uma gigante como a Intel e dizer que ela está fazendo tudo errado. É um tipo de cultura que não se encontra em nenhum outro lugar do mundo”, comenta.

Microsoft

Zack Weisfeld, gerente geral do programa Microsoft Global Accelerators, diz que a Microsoft possui um centro de pesquisas e desenvolvimento com aproximadamente mil funcionários desde sua criação, há 27 anos. Foi o primeiro centro que a companhia abriu fora de Redmond.

Weisfeld diz que a Microsoft estava interessada em trabalhar com as startups locais – e possivelmente adquirir algumas – que estão liderando o caminho em campos como a inteligência artificial.

“Grande parte dos fundadores que encontramos em Israel são tecnólogos – não empresários, que estão tentando resolver um problema para assim encontrar um co-fundador que seja mais técnico. Eles realmente possuem propriedade intelectual e estão colocando-a para funcionar nas mais diversas áreas”, diz.

Tecnologia a serviço da saúde

Numa das maiores catástrofes  ocorridas no Haiti em 2010, Israel  enviou 230 militares que socorreram mais  de mil haitianos. Uma equipe de médicos israelenses  realizou  240 cirurgias de alto risco em território haitiano, além de 16 partos.

Foco médico

Os primeiros israelenses desembarcaram no Haiti nove horas depois do terremoto. Eram apenas cinco e tinham por missão avaliar as condições do terreno, abrindo caminho à grande equipe do Home Front Command (HFC), braço das Forças Armadas israelenses especializado em situações de emergência. Naquele momento, um avião da El-Al com o time completo do HFC já estava prestes a deixar o aeroporto Ben Gurion rumo a Porto Príncipe, levando consigo 70 toneladas de suprimentos.

Ao chegar na capital haitiana em meio ao cenário de caos, os cinco funcionários da equipe pioneira tomaram uma decisão crucial para os esforços de resgate: o foco de Israel no Haiti deveria ser, sobretudo, o auxílio médico. Haveria também uma equipe de Busca e Resgate (SAR, na sigla em inglês), mas Israel concentraria esforços na parte médica, pois outros – principalmente os EUA e a Missão da ONU para Estabilização do Haiti (Minustah), liderada pelo Brasil – já conduziam buscas avançadas.

A base das operações de Israel no Haiti foi o impressionante hospital de campanha montado, em horas, dentro de um campo de futebol de Porto Príncipe. A instalação tinha 40 médicos, 24 enfermeiras, raio-x e ultrassom, pronto-socorro, duas salas de cirurgia e quatro espaços de UTI – infraestrutura que contrastava com qualquer hospital da história do Haiti. O hospital dos israelenses era o único lugar onde se podia realizar cirurgias e exames avançados.

Imerso na lógica da ajuda humanitária, o Exército israelense viu-se fazendo alianças improváveis: russos, nicaragüenses, colombianos, entre outras nacionalidades uniram forças ao HFC. Uma equipe de médicos forenses de Israel ainda se juntou à missão de resgate da Holanda.

Além de um objetivo claro, a operação “sabra” tinha desde o início uma duração pré-determinada. Superada a parte crônica da tragédia humana, haitianos sob cuidados israelenses deveriam ser, pouco a pouco, transferidos a hospitais já estabelecidos no país caribenho ou a instalações de embarcações militares dos EUA atracadas na costa do Haiti. Ao final, passados 25 dias, os israelenses retornaram a Tel-Aviv, onde foram recebidos com honras de heróis pelo alto comando militar e pelo gabinete do premiê Netanyahu.

O Haiti, contudo, não foi a primeira experiência de Israel nesse tipo de operação internacional. Formado em 1992, o HFC atuou em 1998 no Quênia e na Tanzânia após ataques da Al-Qaeda às embaixadas americanas de Nairobi e Dar es Salaam, e enviou equipes para auxiliar a Turquia, em 1999, depois do terremoto que matou mais de três mil no país. Em 2004, integrou a ajuda a Nova Orleans, devastada pelo furacão Katrina, e esteve na costa da Tailândia, arrasada pelo tsunami. Mas, no caso haitiano, a dimensão da ajuda atingiu níveis inéditos.

Seriam duas as razões que levaram israelenses a vir do outro lado do mundo para ajudar o Haiti. A primeira, de ordem moral e humana, diz respeito à solidariedade e responsabilidade de um povo – cuja história foi marcada por tragédias – com pessoas em sofrimento ao redor do mundo.

A segunda, política, tem a ver com uma imagem do Exército israelense raramente retratada no noticiário internacional. Israel não apareceu como o lado forte e arrogante em um embate contra palestinos, Hezbollah ou Irã. Os inimigos eram outros: o desespero, o sofrimento, a desumanização. Em um mundo onde Israel é duramente criticado, nos momentos de maior sofrimento humano, seja onde for, esse pequeno enorme país mostra seu verdadeiro espírito e valor.

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