Professora acusada de neonazismo também era dançarina burlesca

Imagens, potencialmente perturbadoras. Acusada de defender o nazismo, Denise Evequoz parecia realmente gostar do tema

Aconteceu na escola católica Jesus Maestro, em Buenos Aires. Denise Yanet Evequoz, professora de História do Segundo Grau, tornou-se uma celebridade da noite para o dia quando uma de suas aulas foi gravada por um de seus alunos, publicada na internet e, depois, reproduzida na página de uma organização antifascista argentina.

“ Os judeus se aproveitavam das pessoas que precisavam de dinheiro. Eles emprestavam e depois os perseguiam para obtê-lo de volta, sempre com juros. Eles tinham o dinheiro, mas não ajudaram a Alemanha a melhorar. Eles não ajudaram o povo a gerar emprego nem a criar indústrias. Isso gerou certo ódio em relação aos judeus. Não foi só Hitler.”

Yanet parece sugerir que o antissemitismo era culpa dos judeus. Ela também ensina que Hitler foi “demonizado” quando os EUA ingressaram na Segunda Guerra Mundial, “mas não foi tão ruim assim.” Fala em coisas como melhoras no sistema de transportes e diz que Hitler salvou a Alemanha da fome.

A reação
“Jamais toleraremos esse tipo de expressão que vai contra a democracia e a convivência pacífica, distorcendo a história”, dizem os membros da Delegação das Associações Israelitas Argentinas (DAIA) em comunicado. “Chamamos aqueles que têm a responsabilidade de educar, condenar esses atos”. O Ministério da Educação foi informado do ocorrido e membros da DAIA vão entrar com medidas legais contra a professora.

Alberto Coronel, diretor do colégio, disse que a professora foi afastada. No entanto, não deixou claro se Yanet voltaria a dar aulas no local. Alguns alunos se manifestaram para defendê-la, pedindo que fosse restituída à sua posição. Um deles assim se manifestou: “Defendemos ela porque participamos de suas aulas, nas quais sempre se respeitaram ideias e posturas ideológicas diferentes”. Segundo o aluno, o vídeo foi editado e cortado para transmitir uma imagem distorcida. “Ela não está defendendo o holocausto, mas contando a história. Não está defendendo o nazismo, mas contando o que estudou.”

De acordo com outros profissionais da escola, Yanet não se arrependeu de suas afirmações. O diretor também afirmou que os alunos da classe de Yanet terão que escrever um trabalho sobre a ascensão do nazismo e as atrocidades cometidas durante o holocausto.

Depois da revelação, veio à tona outra parte da relação entre Yanet e o nazismo. O que se segue é um mergulho na imaginação sexual alheia, que não é para todos os gostos. Totalmente opcional para quem só quer entender a polêmica numa aula de História.

Estrela da noite
Na noite de Buenos Aires, a professora Denise atendia por outros nomes: Ana Elisa Duprat, Adiuvat Defunctorum e Psicosis Grotesque. Ela fazia um espetáculo de burlesco, a dança erótica retrô que fez a fama de Dita von Teese.

Apresentado em Buenos Aires, o espetáculo Burlesque Sangriento, foi anunciado da seguinte forma:

“ …a combinação de um espetáculo de erotismo explcítio sem precedentes em Buenos Aires, com velhas reminescências ao antigo cinema gore e splatter, do mais repulsivo no gênero. Um grande número de artistas macabrabos rejeitados pela cena underground se reunirão numa obscena beleza orgiástica da exposição do mais lascivo, excitante e mórbido jamais presenciado. Estejam avisados!”

Gore e Splatter (algo como “entranhas” e “chuva de entranhas”) são gêneros de filmes B de terror, como Sexta-Feira 13 e Massacre da Serra Elétrica. Ainda que a inspiração do personagem da professora deve algo a outro gênero, o nazisploitation, representado por um infame filme canadense de 1975.

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