Panorama brasileiro, descontrole da natalidade e desemprego

No Brasil, é nas favelas e nos subúrbios, mas sempre entre as classes mais pobres, que aumenta ferozmente a natalidade. Muitas mulheres humildes não têm condições – psicológicas, intelectuais, ou financeiras – de se adaptar ao uso de pílulas contraceptivas, e não conseguem se beneficiar com a ligadura de trompas – procedimento teoricamente oferecido em alguns hospitais públicos – devido à burocracia excessiva e, sobretudo, porque fruto de uma política desumana, que abandona o povo à própria sorte, negando-lhes a salvadora educação de qualidade.

Então, uma residente em favela que dá à luz seu sétimo filho, por exemplo, ainda que implore pela laqueadura, não a terá, alega o hospital, caso seus filhos nasçam naturalmente. Pois é condição para merecer a sonhada ligadura de trompas que pelo menos duas de suas gestações tenham resultado em cesarianas. O fato de já ter sete filhos a serem criados com salário mínimo, na maioria das vezes sem a presença de uma companheiro constante, não comove as autoridades públicas. Assim, a mulher mais carente procriará sem opção, e a população crescente continuará sendo a mais pobre e vulnerável, levando em frente um círculo vicioso que beira as raias do impasse de qualquer modelo de vida onde moral e ética coexistam.

O descontrole da natalidade, aliado à falta de um plano educacional sério, gera população abundante, porém sem qualquer qualificação, condenada, pois, ao desemprego – ou o subemprego. Os produtos gerados por esses trabalhadores, sem treinamento adequado, não exibem a melhor qualidade, e nem sempre encontram bons preços para mercado interno ou exportação. Especialmente porque alguns países com a mesma abundância de mão de obra escolhem treiná-la com cuidado, e terminam abarrotando o mercado com produtos de melhor qualidade e preço mais convidativo para o consumidor.

E voltamos ao mesmo e antigo ponto: é necessário educar. A profissionalização, o treinamento contínuo de trabalhadores, o investimento no material humano, são métodos que terminam por melhorar o produto final de seu trabalho, tornando-o mais interessante para o mercado, que o absorve e gera maior produção, e mais divisas, e mais empregos, assim por diante.

Tecnologia gera emprego

O Brasil é um país privilegiado em clima, em natureza, e – dizem os experts – até no biotipo de seus homens e mulheres, de exuberante beleza. Assim como há um exército de pessoal carente de Educação, o país produz um pequeno grupo de profissionais de altíssimo nível.

Fabricamos aviões e automóveis que são exportados. Também expoentes na Física, na Medicina, na Literatura, e em outros campos, sobressaem e ganham fama internacional, quando não são definitivamente atraídos para fora do país com salários irresistíveis, na chamada moeda forte. Nossa medicina é respeitada, e profissionais brasileiros são levados para ministrarem cursos em universidades estrangeiras. A maioria acaba deixando o país.

Entretanto, tal percentual é ínfimo, se comparado à população de 220.000.000 de brasileiros. Considerando que cada ser humano nasce, se fruto de uma gestação saudável, com chances largas de um desenvolvimento pleno, e com uma centelha de genialidade a ser desenvolvida, o desperdício que a má qualidade de vida ocasiona nas crianças excluídas pelo Poder Público e pelo Estado é de um nível criminoso.

O país tem artesanato rico. Onde a tecnologia pode ser substituída pela arte manual, a competição é possível. Quando entra a tecnologia de ponta, estamos atrasados em muitos e muitos anos – século, talvez. Os casos excepcionais apenas confirmam uma regra: a tecnologia que gera emprego não é, definitivamente, aplicada na medida certa no Brasil. Não é aplicada. Ponto. Pelo menos já há consciência, por parte de alguns, da necessidade de mudança. Falta apenas colocá-la à disposição da população como um todo. Falta, como sempre, vontade política. O contrário implica em dar continuidade à manipulação do povo, que hoje tateia no breu, sem saber o que o aguarda após outubro de 2018. Educar é preciso. Já. Educar muito, seriamente, com garra e persistência. Educar e crescer. Educar. Ou restar um país adormecido, que só acorda com os sobressaltos da crescente violência e insegurança geradas onde o livro não tem vez.

P.S. A vida secreta dos nazistas, de Paul Roland, deve ser lido. Muitos personagens ali descritos foram clonados e andam por aí. Melhor ler para saber reconhecer. Shalom.

Um comentário

  1. Manoel Adler
    Manoel Adler 12 de junho de 2018 at 21:57 |

    PARABÉNS Dra MIRIAM
    O seu artigo é a realidade, devendo ser publicado e divulgado.

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