Palavras de Mikhail Gorbachev

‘Se esperarmos mais tempo para decidir, poderá ser tarde demais, e a História nos punirá’. Ele assim disse ao visitar a Alemanha Oriental, dias antes da queda do muro que separava em duas partes o país alemão. Instado a deixar o cargo, Erich Honecker não opôs qualquer resistência. Sabia ser inevitável o que vinha pela frente.

O mesmo se dá hoje no Brasil. Não podemos esperar mais para julgar os criminosos que saquearam o país. Se não fizermos o que deve ser feito agora, será tarde demais, e a História nos punirá por conivência e fraqueza. Renan Calheiros ameaçou levar seus comparsas se caísse. Equilibra-se até hoje. Eduardo Cunha ameaçou seus cúmplices igualmente, mas acabou preso e aguarda placidamente, talvez porque o presidente Michel Temer garantiu que ‘tem de manter assim’… O mesmo quadro agora aponta Paulo Preto. Se cair, arrastará todos os cúmplices com ele. Esperamos com ansiedade que ele se manifeste. A Lava Jato parece infindável, mas a responsabilidade de sua longevidade é de nossos governantes, incansáveis na criatividade recidiva para o Mal da corrupção.

Leve o tempo necessário, mas que a solução judicial (que muitos insistem em tratar como política) seja a melhor possível para o povo, e apenas para ele, exaurido e indignado por ver sempre a sua carne ser cortada para reparar os erros reincidentes dos maus governantes.

Cortar na Saúde? Não! Não e não! Cortem nos pródigos cartões administrativos, na despensa mais do que supérflua dos gabinetes políticos, nos milhares de assessores que nada fazem. Cortar na Educação? Não! Mil vezes não!

Cortem nos carros oficiais abusivos, nas abundantes verbas ‘penduricalhos’, nas vergonhosas viagens vazias e milionárias, sob falsos pretextos de serem oficiais. Um certo deputado carioca se vangloriava de apenas ficar em hotéis cuja diária fosse acima de U$1000 dólares. Parcimônia, senhores. Frugalidade com o dinheiro público. Cortem na sua própria carne, senhores políticos, pois o imbróglio da vez, como sempre, é todo criado pela incompetência habitual dos senhores; a carne do povo, é público e notório, já não tem mais o que cortar.

E, por favor, cortem já, fazendo “mea culpa” e prometendo Justiça social e dignidade para todos, ou a História lhes será cruel. Embora tal visão lhes seja difícil, míopes que são de humanidade, escutem as palavras de um estadista que teve visão histórica.