O verão continua quente

Refugiados sírios próximos à fronteira com Israel

Não é novidade que em Israel o verão é quente e em lugares como no sul chega a ser escaldante com temperaturas que chegam aos 40º C , como em Eilat e no Mar Morto.

Mas esse ano, até no norte, onde as temperaturas geralmente são mais amenas, os problemas de segurança regionais elevaram o clima em vários graus centígrados.

Como informei na edição anterior, deveria ser realizado um encontro entre Netanyahu e Putin,em Moscou, na 4ª feira, para contornar as arestas da situação criada durante os sete anos de guerra na Síria.

Os dois líderes discutiram principalmente o ítem que mais preocupa Israel: a permanência de forças militares iranianas em território sírio e, especialmente, nas proximidades da fronteira entre os dois países.

Durante estes 7 anos de conflito, Russia e Israel tem mantido um status quo de respeito aos interesses vitais de segurança para Israel.

Numa faixa territorial tão limitada se desenrolaram atritos entre forças terrestres e aéreas dos países que constituíram o comando aliado que lutou contra o Estado Islâmico e outras milícias xiitas.

Nesta força aliada participaram aviões dos USA , Russia , França, Inglaterra, Arábia Saudita e com o correr dos anos, em consequência das modificações estratégicas e militares, a Turquia também optou por defender seus interesses nacionais contra os curdos sírios, assentados no norte do país.

A entrada do Irã na arena foi a pedido de Assad, cujo governo estava seriamente ameaçado não apenas pela oposição síria, mas também por milícias islâmicas que não aceitam o domínio dos alauitas –a facção islâmica minoritária da família Assad.

A discórdia que paira entre as inúmeras divisões do Islã, desde a maioria sunita que está dividida entre os radicais – Daesh, Estado Islâmico e os braços mais moderados da Arábia Saudita e as demais seitas xiitas, que incluem Hesbollah e Irã, milícias paquistanesas, gerou o caos que reina até hoje na Síria.

Milhóes de refugiados, centenas de milhares mortos, que transformaram não só o Oriente Médio no palco de mais uma tragédia humana, mas também atingiram a Europa que teve que suportar a onda migratória que ainda não terminou e mudou bastante a face europeia em todos os sentidos sociais e continuará influenciando política e culturalmente no continente.

Agora, quando parece que a guerra na Síria se aproxima do seu fim, começa a disputa dos méritos que cada uma das partes conflitantes deverá levar.

O conselheiro de Hamenai com Putin

Isto fica muito claro no ritmo de encontros que se iniciou entre Putin e Netanyahu, na 4ª feira passada, seguido do encontro entre Putin e o assessor mais importante do “supremo líder” iraniano Ali Haminai, culminando com a conferência de cúpula, na 2ª feira em Helsinque entre Trump e Putin. O tema é o mesmo: a permanência de tropas iranianas na Síria.

Para Israel é evidente que o Irã será um fator de desequilíbrio na região, bem como as milícias do Hesbollah. Netanyahu está tentando negociar a retirada destas tropas das proximidades da sua fronteira. Putin apoia a proposta de Assad, de manter forças militares sírias na fronteira do Golan sírio.

Israel alega que durante 40 anos, antes da guerra na Síria, não havia unidades militares assentadas na fronteira e nunca foi disparado um tiro sequer.

Trump e Putin deverão discutir, segundo informações do site americano Bloomberg, o recuo das forças militares iranianas para uma distância de 80 km da fronteira israelense.

O jornal Time, por sua vez, informa que a Rússia é o aliado mais próximo de Assad e não acredita que a retirada total das forças iranianas faça parte da realidade nos próximos debates, pois a intervenção russa e iraniana teve como meta salvar o governo de Assad, que ainda não está consolidado.

O problema é que nem sempre os interesses dos países em questão coordenados, ajustados na mesma direção.  Mas nesta conferência, os líderes das duas grandes potências tem outros temas de maior importância para cada um, como a Otan, o fornecimento de gás russo para a Alemanha, a guerra na Ucrânia, a anexação da Crimeia  e Israel não está em primeiro lugar na relação.

A novela tem continuação. Vamos esperar.

GAZA


A situação no sul do pais continua tensa e na sexta-feira passada, um oficial das FDI foi ferido por estilhaços de granada lançada por manifestantes junto à cerca da fronteira. Este confronto foi considerado o mais grave desde o início da Marcha, há mais de 100 dias.

Em revelia, Tzahal bombardeou uma base de ação militar em Gaza e os palestinos em represália, lançaram quatro foguetes , dos quais dois, caíram na cidade de Sderot atingindo duas casas, causando ferimentos nos moradores além de danos materiais.

Não é difícil avaliar para onde pode levar esta escalada de violência. Espero escrever coisas melhores na próxima semana, já de Israel.

SHALOM ME RIO.

Um comentário

  1. manoel adler
    manoel adler 17 de julho de 2018 at 23:24 |

    PARABÉNS RUTH
    Os artigos que você escreve ,são elucidativos ,não sofrendo manipulações antijudaicas da imprensa..
    Continue e mais uma vez SHALOM.

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