“O Schindler britânico”

Nicholas George Winton, nasceu em 19 de maio de 1909 em Hampstead, Londres, Inglaterra. Filho de judeus alemães que haviam, se mudado para Londres dois anos antes. O sobrenome da família era Wertheim mas, mudaram para Winton como um esforço de integração. A família se converteu ao cristianismo e Winton foi batizado.

Em 1923, Winton entrou na Stowe School, mas saiu sem se formar. Continuou seus estudos frequentando uma escola noturna enquanto era voluntário no Midland Bank. Trabalhou no Behrens Bank, em Hamburgo e no Wasserman Bank, em Berlim.

Em 1931 mudou-se para a França e trabalhou no Banque Nationale de Crédit, em Paris, onde adquiriu formação na área bancária. Ao voltar para Londres, tornou-se corretor na Bolsa de Valores de Londres.

Em 1938 Winton, visita seu amigo Martin Blake em Praga e esse lhe pediu ajuda em trabalhos humanitários . Ao ver a real situação dos judeus na Checoslováquia que estava ocupada pelos nazistas percebeu que não havia planos para salvar as crianças judias ele criou uma organização própria para ajudar essas crianças que estavam correndo risco.

Winton entrou em contato com o “Refugee Children’s Movement” (RCM), em Londres. A missão dessa organização era conseguir alojamento e dinheiro que o governo britânico requisitava como garantia de pagamento para entrada de refugiados europeus perseguidos pelo nazismo.

Em novembro de 1938, pouco depois da “ Kristallnacht” na Alemanha Nazista, A Câmara dos Comuns do Reino Unido aprovou uma medida que permitiu a entrada de refugiados com idade inferior a 17 anos, contanto que tivessem um lugar para ficar e 50 libras depositadas como garantia de pagamento de um bilhete para eventual retorno ao país de origem.

Durante nove meses ele tentou evacuar 669 crianças por trem, de Praga para Londres. Entre eles estavam Karel Reisz, que se tornaria um famoso cineasta, autor do primeiro filme “The French Lieutenant’s Woman”. Hoje em dia, acredita-se que existam mais de 5.000 crianças das chamadas “crianças de Winton” que seriam descendentes das crianças que ele salvou.

Um trem com 250 crianças deveria ter partido de Praga em setembro de 1939, mas a data coincidiu com a declaração de Guerra do Reino Unido à Alemanha. O trem não saiu da estação e as crianças não foram vistas novamente, pois foram enviadas para campos de concentração.

Winton encontrou casas na Grã-Bretanha para 669 crianças , muitas delas órfãs pois os pais tinham sido executados em Auschwitz. A mãe de Winton também trabalhou com ele para colocar crianças em lares e albergues. Durante todo o verão Winton colocou anúncios em busca de famílias para aceitá-las.

Nicholas Winton manteve em segredo seu trabalho humanitário e trabalhou como aviador na Segunda Guerra. Sua esposa Grete Gjelstrup, encontrou um “scrapbook” detalhado no sótão de sua casa em 1988 que continha a listas das crianças, incluindo os nomes de seus pais e os endereços das famílias que os abrigaram e através do envio de cartas para estes endereços, oitenta das “Crianças de Winton”, foram localizadas e suas vidas e realizações foram mostradas no programa da apresentadora Esther Ranzen que no decorrer do programa perguntou se alguém na plateia devia sua vida a Winton e em caso afirmativo, ficasse de pé. Mais de vinte pessoas ao redor de Winton se levantaram e o aplaudiram.

Winton, foi indicado ao premio Nobel da Paz de 2008 pelo governo checo. Por ter antepassados judeus, ele não foi agraciado no quadro dos Justos entre as Nações.

Sir Nicholas Winton faleceu em 1º de julho de 2015 aos 106 anos.

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