O judeu em algumas obras de William Faulkner

PARTE 1

Sempre que o nome ‘judeu’ aparece em literatura, é normal que se especule que consequências trará para a comunidade. Uma história longa, que inclui massacres, expulsões, a Inquisição, pogroms e o Holocausto são certamente uma boa razão para cuidado e análise apurada. O estado defensivo tem origem em fatos reais. No caso de William Faulkner, veremos como este autor, cuja obra é permeada por ideias de coragem, honra, verdade, compaixão e amor, não se encaixa num antissemita, ou judeofóbico.

T.S. Elliot requer leitores iniciados em literatura, e o mesmo se dá com William Faulkner. Devido à variedade de técnicas, riqueza de imagens e variedade de interpretação, seu trabalho requer atenção e maturidade, sob pena de se ter um leitor enganado por ideias sutis.

T.S. Eliot teve grande influência em Faulkner, mas este teve pouco em comum com seus pensamentos políticos. Em 1933, T.S. Elliot fez uma palestra na Universidade de Virgínia, onde disse:

‘O Sul tem mais chances de reestabelecer sua cultura nativa do que a Nova Inglaterra… que foi invadida por raças estrangeiras. Para desenvolver tradição… a população deve ser homogênea… Duas ou mais culturas… ambas terminam adulteradas… Mais importante é a unidade ou base religiosa… um espírito de excessiva tolerância deve ser rejeitado…’

A resposta imediata a seu discurso foi a reação geral de negros e judeus. Alguns amigos de Elliot vieram em seu socorro, alegando que em 1933 antissemitismo era comumente aceito. Já em 1929, a humanidades estava interessada em demonstrar a diferença entre as raças, embasando suas ideias na diferença nas digitais raciais. A partir desta diferença física, ‘ cientistas’ tentariam provar a superioridade de uma raça sobre a outra, num esforço para justificar toda e qualquer crueldade perpetrada contra seres humanos.

William Faulkner enfrentou muitos conflitos em sua comunidade e muitos outros internamente, tentando superá-los. Se o autor teve problemas pessoais com alguns judeus, pode-se dizer que, no todo, A comunidade judaica e o escritor tinham boas relações, como muitas de suas cartas mostram.

‘Mr. Robert Haas é vice-presidente da editora Random House… quando eu estava sem dinheiro… ele me enviava algum… Ele é judeu. Tinha um filho único, e uma filha;(seu filho) estava pilotando aviões torpedeiros através do Pacífico… foi morto na semana passada…sua filha ainda pilota. Todos são judeus’.

William Faulkner elogiou Einstein e manifestou-se contra Hitler e Mussolini. O escritor buscava enxergar o mundo através da mesquinhez humana, buscando o Homem que ele pressentia merecer ser parte da Humanidade e que não ousaria agir contra um irmão. Seu amor por sua cidade, por seu estado, por seu país, foi mal interpretado algumas vezes o que o levou a pensar em exilar-se, assim como “ o judeu, que teve de fugir da Alemanha durante o nazismo de Hitler”, como se lê em uma de suas cartas.

Semana que vem segue.

E porque me lembrei de um trabalho sobre Faulkner, impossível não pensar em todas as guerras que hoje irmãos travam contra irmãos, matando crianças, e seu olhar mortificado, suas mãos estendidas buscando entender o que não tem compreensão, nos trazem vergonha de nossa maturidade falha, cruel, de ambição sem limites, de uma mesquinhez apavorante, e talvez sem chance de cura. Seja Deus uma entidade, leve que nome for, até mesmo trovão, como alguns O denominam, com que desalento deve observar o que neste planeta se destrói e corrompe e ofende em Seu nome.

E nenhum estadista se ergue para amenizar tanta dor. Vemos homens sem condição física, intelectual, moral, qualquer que seja, para tirar a Humanidade do lamaçal em que afunda e a pergunta não se cala: Não veem que o mundo está à beira de explodir, que as pessoas perdem a razão e enlouquecem de tanto sofrer? Até onde irá o homem em baixeza e pobreza de espírito? Quantos milhões necessita para ser feliz? Roubou 1 bilhão, nem cem anos de cadeia lhe trará perdão. Educar, educar, educar; educar significa amar. Amar ensina a perdoar. E perdoar leva o mundo adiante, confiante, gigante. O oposto é eterno minguante.

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