“O Grito”

 

O mês de ELUL, por ser o último do calendário judaico, representa um tempo de reflexão sobre o ano, que está se findando. Dizem que o Criador sai do seu palácio real e se aproxima mais de suas criaturas, tentando escutar o que elas têm a pedir, a lamentar, a perguntar, a criticar sobre a vida que estão levando.

A imagem que me vem à minha cabeça, que representa mais fielmente como os mortais   expressariam o que estão passando, seria o quadro, pintado pelo conturbado Edvard Munch, no final do século XIX, denominado “O GRITO”. Pelo menos, no pedaço de mundo que habitamos.

Na realidade, esse grito do artista, que é interpretado como de angústia e desespero, reverbera em muitos outros gritos, que são ouvidos no nosso entorno, revelando a nossa impotência em diminuir a agonia dos que gritam.

As vozes mais estridentes são as que revelam medo. Elas gritam pela incerteza do futuro. Elas clamam pelo resgate da liberdade, nesse mundo desgraçado pela pandemia. Na sua maioria,  são vozes daqueles que já viveram a maior parte da vida, mas que gostariam de colher tudo, que semearam ao longo de sua jornada, com mãos saudáveis e cabeça no lugar.

O mais contundente é o grito da desesperança, tanto no nível planetário, como próximo de nós. A Terra está se esvaindo com a intensidade das catástrofes naturais, que representam o acerto de contas entre a natureza e a ação humana. Nem todo o progresso científico dá conta de contornar essa situação desesperadora, para as próximas gerações.

No mesmo diapasão, ouve-se o grito aflito dos desempregados e dos famintos, rogando por um naco na distribuição da educação, do saneamento básico e da riqueza das nações.

Como não ouvir o grito contido de dor dos que sofreram perdas irreparáveis, como consequência da pandemia. Famílias enlutadas vendo gente querida passar a fazer parte do painel das estatísticas.

Mas, para melhorar o astral, vamos dar vez ao grito da ciência, que ecoou nos laboratórios do mundo todo, saudando o valor da capacidade humana na pesquisa de vacinas, que têm diminuído o avanço do vírus global.

Que o Criador escute todos esses gritos e que entremos em Tishrei, que é o primeiro mês do ano judaico, menos barulhentos e mais juntos.

 

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