O boi e o precipício

Lemos que um boi correu e foi em direção a um precipício, atirou-se no espaço mortal e foi seguido por outros 28, que também encontraram a morte.

Estando a dois meses das eleições, o quadro ainda é confuso. Mais do que confuso.

Com Jair Bolsonaro, aprendemos uma história nova, nunca antes ensinada em qualquer livro. No dele, e só no dele, sim. Que livro seguirá o homem de Xiririca? E as coisas que falou sem ter noção de que o microfone estava ligado? Um homem sem noção para presidente?

Lula segue preso, mas comanda o seu partido. Après moi, le déluge. Que afunde o partido, mas salve-se o mito. Depois de mim, o dilúvio. Que importa o país? Aceita-se a esmola social? A ajuda em troca de voto? O cabresto? A manipulação sem a Educação – e só ela – que liberta?

De todo modo, é impossível livrar da responsabilidade jurídica um chefe da nação que permitiu que roubos de valores nunca antes vistos no país acontecessem. É crime, sim. Incompetência, conivência, omissão, vários títulos tipificam o crime de quem pretende chefiar uma nação e a coloca numa crise como a que se enfrenta hoje. Não dá para fingir que é perseguição política. Não dá. Quem lida com malandro sempre acha um mais malandro do que o próprio.

O PT até quis Ciro Gomes, mas Lula disse não e o isolou. Não admite que lhe façam sombra. Ciro tem fama de grosseirão e, embora não tenha o nome envolvido em nenhum processo, há algo em suas maneiras que assustam. E mesmo quando responde a uma sabatina com clareza e autoridade, resta a desconfiança que lhe é inerente.

Geraldo Alckmin parecia íntegro. Sujou-se em processos, debate-se para sair deles. Incólume? Duvida-se. Escolheu Ana Amélia, a senadora destemida e lúcida. Mas então, descobriu-se que ela, em 1986, recebia verbas que não lhe eram devidas. Fato? Fake? Terá se redimido?

Marina da Silva é outra cujo nome não aparece em sujeiras. Inspira confiança em alguns, mas em outros, sua figura não demonstra força para levar o Brasil numa missão gigantesca de superar o estrago feito pelos últimos governos. E parece isolada. Sem falar que pairam no ar as más notícias que envolviam o nome de seu marido.

Há muitos candidatos ao Planalto. Golda Meir disse, em palavras mais ou menos assim, que só haveria paz quando os árabes amassem suas crianças mais do que odiavam os judeus. O ódio é um cancro que mata quem o cultiva. Mas segue sendo regado.

Do mesmo modo, o Brasil só chegará ao Primeiro Mundo quando houver políticos que amem o país e seus cidadãos acima de qualquer interesse próprio. Estamos tão longe disso. Como nunca.

Se a vaidade e a chance de usar o dinheiro do Fundo Partidário incha o número de candidatos à política federal, o mesmo se dá quanto aos governos estaduais e aos candidatos a deputados. O vale tudo tomou conta. Usar nomes de fantasia, ocultar o sobrenome familiar, qualquer truque é permitido para chegar ao Poder. Precisamos estar alertas para escapar dos truques baixos de que se valem os políticos, a imensa maioria já com um pé em condenações se não for eleita -ou reeleita. Inclusive o presidente Michel Temer, que teme perder sua Marcela. Pensasse antes de receber bandidos altas horas e ser gravado em ato nada republicano. Perdeu.

O país precisa terminar milhares de obras paradas, dar infraestrutura a todos os cidadãos, oferecer segurança, emprego, saúde, educação. Dizia-se que estávamos atrasados 200 anos em relação aos povos desenvolvidos. A diferença subiu para mais um ou dois séculos? Quem se importa? Nossos políticos (e empresários) mantêm conta no estrangeiro, assim como domicílio e cidadania. Ainda não leram Golda Meir.

O pior de tudo é que ainda há bois que seguem correndo para o precipício, e ainda não se vislumbra quantos milhões mais os seguirão.

3 Comentários

  1. Gisela Claper
    Gisela Claper 7 de agosto de 2018 at 14:07 |

    Excelente a materia da Miriam Halfim, amiga da nossa saudosa amiga Sima Sztulman tambem, q se foi ha quase um ano em Jerusalem.

    Miriam – me lembro das suas colunas ha uns 40 anos atras quando Morava em SP e no Brasil. Hoje, nao escuto a brilhante Golda Meir pq estou fora ha 38 anos e nao me arrependo.

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  2. Sylvia
    Sylvia 7 de agosto de 2018 at 15:24 |

    Comentários objetivos lucido e e muito bem apresentado.
    Sou sempre tua fã.

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  3. Martha Rodrigues de Castro
    Martha Rodrigues de Castro 7 de agosto de 2018 at 22:12 |

    O Brasil nos dias atuais, carece de patriotas.

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