O assassino é o escriba

Paulo Leminski

Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito inexistente.

Um pleonasmo, o principal predicado da sua vida, regular como um paradigma da 1ª conjugação.

Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial, ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito assindético de nos torturar com um aposto.

Casou com uma regência.

Foi infeliz.

Era possessivo como um pronome.

E ela era bitransitiva.

Tentou ir para os EUA.

Não deu.

Acharam um artigo indefinido em sua bagagem.

A interjeição do bigode declinava partículas expletivas, conectivos e agentes da passiva, o tempo todo.

Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.

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Essa poesia está no livro Toda Poesia, de Paulo Leminski.

Paulo Leminski (Curitiba, 1944-1989) foi poeta, romancista, tradutor, compositor, biógrafo e ensaísta. Trabalhou como redator de publicidade, professor em cursinho pré-universitário, músico, letrista e tradutor. Foi um estudioso da língua e da cultura japonesas e publicou em 1983 uma biografia de Bashô. Sua obra tem exercido marcante influência em todos os movimentos poéticos dos últimos anos.

 

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