Mira Schendel, um dos expoentes da arte contemporânea brasileira


Myrrha Dagmar Dub nasceu em 7 de junho de 1919 em Zurique. Seu pai era tchecoslovaco, de família judaica, e sua mãe era filha de um alemão e de uma italiana também de origem judaica. Os pais se separaram quando Mira ainda era um bebê. Sua mãe se casou novamente com um conde italiano.

Em Milão, na década de 1930, Mira estudou Filosofia na Universidade Católica e, a partir de 1936, frequentou a escola de arte. Durante a Segunda Guerra Mundial, terminou abandonando os estudos. Em 1941, foi para Sofia, na Bulgária, fugindo da perseguição nazista e acabou em Saravejo, na Iugoslávia, onde se casou com Josip Hargesheimer, com o intuito de conseguir permissão para emigrar.

No imediato pós-guerra, entre 1946 e janeiro de 1949, o casal permaneceu em Roma. Mira foi considerada “pessoa deslocada” e trabalhou na Organização Internacional de Refugiados.

Finalmente obtém permissão para vir ao Brasil, chegando ao Rio de Janeiro em 12 de janeiro de 1949. Em seguida fixou-se em Porto Alegre. Ali, além de pintar, deu aulas de pintura e trabalhou com cerâmica. Também estudou e publicou poesias, assinando suas obras com o sobrenome Hargesheimer até 1953.

Seus primeiros trabalhos são marcados pela rigidez semelhante a natureza morta, já que ela se sentia meio exilada.
Sua participação na 1ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1951, lhe permitiu contato e inserção na cena nacional.

Dois anos depois, em 1953, mudou-se para São Paulo, onde conheceu o livreiro alemão Knut Schendel, que se tornou pai de seu único filho e, posteriormente, seu marido. Mira adotou o sobrenome Schendel.

Na década de 1960 produziu mais de quatro mil desenhos com a técnica da monotipia em papel de arroz. Estes são divididos em subgrupos, apelidados de “linhas”, arquiteturas (linhas em forma de u), “letras” (alfabeto e símbolos matemáticos) e “escritas”(em várias línguas).

Em 1966, ela se apresentou em Londres com a sua série “Droguinhas”, elaboradas com papel de arroz retorcido. As peças de acrílico datam de 1968, quando ela produziu obras como “Objetos Gráficos” e “Toquinhos”.

Entre 1970 e 1971 realizou um conjunto de 150 cadernos, desdobrados em várias séries. Na década de 1980, produziu as têmperas brancas e negras, os “Sarrafos” e iniciou uma série de quadros com pó de tijolo.

Mira Schendel faleceu em são Paulo, em 24 de julho de 1988, aos 69 anos.

Após sua morte, muitas exposições apresentaram sua obra no Brasil e no exterior. Em 1994, a 22ª Bienal Internacional de São Paulo deu-lhe uma sala especial. A artista está representada em acervos de vários museus importantes: MoMa, Nova York, Museu de Arte Moderna de São Paulo MAM/ SP, Mac-USP, Museu de Arte do Rio, MAR, MAC- Niterói, Fundação Edson Queiroz em Fortaleza, Tate Modern em Londres, entre outros.

Mira Schendel: Stimulating Space – Tate Shots

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