Mídia

ISRAEL LANÇA FOGUETE CONTRA PALESTINOS E MATA MULHER GRÁVIDA E CRIANÇA, diz a manchete em letras garrafais. No texto que segue, em caixa baixa, explica-se que o foguete é reação aos 180, 180 foguetes lançados pelo Hamas sobre a população israelense nas 48 horas que antecederam a resposta de Israel.

Mas, sabemos todos que os leitores leem, se tanto, as manchetes que interessam. E manchete contra Israel vende, rende ibope. Sempre. Que importa se foi reação? Que importa se Israel não ataca e só responde após muita, muita provocação? Que importa se nenhum país no mundo aguentaria tanto ataque covarde? Que importa se mulheres e crianças são usadas como escudos humanos pelos terroristas do Hamas, fabricando mártires para sua propaganda mundial? Desde que a mídia se esbalde com as notícias, que importa se são justas? Se não são verdadeiras?

O Hamas comanda com mão de ferro a população dos árabes mais frágeis e indefesos, incultos e facilmente manipuláveis. Numa reunião política, há alguns dias, ouvi o orador da noite falar várias vezes de violência palestina causada por Israel, até que não me contive e perguntei por que em nenhum instante ele abordou a violência contra Israel causada por árabes palestinos. O público não se interessou pela resposta.

Então, uma boa conhecida árabe de origem libanesa levantou a voz depois de mim e falou que era contrária à vitimização dos palestinos porque havia em jogo toda uma retórica de status de refugiados que envolvia muito dinheiro enviado para a região, além do estrangulamento a que era submetido o povo, pelos governantes e pelos terroristas. Ela também teve má reação do público, que estava interessado apenas em atacar o alvo de sempre: Israel. Eu a abracei ao me despedir e lembramos que, não fosse a chance de nos conhecer, não saberíamos que tínhamos tanto em comum.

Engraçado – se pode haver alguma graça no assunto – é que quando se perguntou ao orador sobre seus planos como deputado, com relação às milícias que se infiltravam em todo o Poder, ele simplesmente tergiversou: o assunto é muito delicado…

Melhor olhar para o outro lado. Israel está bem aí para ser atacado. E o método nunca falha.

No dia seguinte, talvez por acaso, o jornal trouxe um artigo com uma ativista israelense que atua contra Israel, país onde vive. Esteve há pouco em São Paulo, onde deu a entrevista que li. São palavras dela, trazidas entre aspas na manchete do artigo: ‘Temos um Estado com políticas racistas’, diz a ativista israelense. Prato cheio para a mídia e para os detratores do país. Racista? Com deputados árabes atuando no Parlamento? Com árabes israelenses atuando em todas as áreas de trabalho?

Quantos judeus podem ser políticos em qualquer país árabe? Ou ter liberdade de expressão nesses países? Ou direitos de qualquer sorte? Racista? Israel trouxe judeus etíopes para Israel, e agora nossos irmãos negros se adaptam e estudam e mudam seu destino. Racista?

Bibi está há tempo demais no Poder, é certo, e todo Poder longevo é danoso. Por que? Porque a pessoa passa a crer que é ideal e perde a capacidade de autocrítica. Já vimos caso similar por aqui, sabemos como funciona mal. Para todos, exceto para um pequeno grupo.

A alternância de Poder é vital para a democracia – lá e cá. Mas daí a chamar Israel de racista, e que um jornal use tal manchete para agradar a camada ignorante e ávida por sensacionalismo, é inadmissível. Assim como Bibi deve ceder o governo para outro e acertar contas com a Justiça (por aqui também temos similaridades), é igualmente necessário que tenhamos mais elementos na mídia para comparar notícias e observar parcialidades.

A mídia é indispensável, sim, mas igualmente vital é que tenha a coragem de ser honesta. Israel não é perfeito, mas luta para agir com integridade, aspirando à perfeição. Não é dono da verdade, mas seu povo trabalha, estuda, aspira verdadeiramente a conhecê-la.

É verdade, estou impregnada com os ensinamentos de Janusz Korczak, cuja vida e obra andei estudando, para descobrir um ser humano muito especial. Como poucos jamais vistos. Raros em qualquer lugar, tão necessários num mundo doente como o que vivemos. Precisamos de uma mídia livre, honesta, justa, que valorize o que de melhor pode haver no planeta. E que não precise escolher atacar Israel para se manter de pé, mas que se mantenha de pé noticiando com verdade e justiça.

3 Comentários

  1. manoel adler
    manoel adler 16 de agosto de 2018 at 23:43 |

    NUNCA TIVE HABILIDADE PARA ESCREVER NEM JULGAR
    Quero manifestar novamente o que já havia escrito parabenizar a Miriam e divulgar
    o máximo das suas cronicas etc etc.

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  2. Daniel Benchimol
    Daniel Benchimol 17 de agosto de 2018 at 0:34 |

    Os ataques contra os judeus são mais antigos que esse.
    Nosso povo nunca recuará.

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  3. Ronaldo Pollak
    Ronaldo Pollak 26 de agosto de 2018 at 14:17 |

    Miriam, você consegue ser sucinta e traduzir exatamente o que pensamos. Parabéns

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