“Meu partido é o judaísmo”

Léo Moritz, Arnon Velmovitsky, Ary Bergher e Marcio Meilman farão parte do novo executivo da FIERJ no biênio 2018/2020

Candidato único às próximas eleições da Federação Israelita do Rio de Janeiro, o advogado Ary Bergher  cumpre uma  longa agenda de visitas às Instituições Judaicas. Seu objetivo é conhecer a fundo o trabalho realizado por cada uma delas, enfatizando o seu compromisso maior à frente da presidência da FIERJ, que é o combate ao antissemitismo com a formação de lideres comunitários.

Com o Estado do Rio de Janeiro afundado numa crise econômica sem precedentes, Ary Bergher  tem enorme preocupação com os judeus carentes  e para eles, também, tem  uma proposta a ser colocada em prática, assim que assumir o  novo cargo.

Para os cerca de 30 mil judeus, que vivem hoje no Rio de Janeiro, a chegada de um jovem presidente à frente da maior instituição judaica de nosso Estado, é sem dúvida, um alento e um ótimo presságio de que bons ventos estão soprando em nossa direção.

Para conhecer um pouco mais, a proposta do novo presidente da FIERJ, Ary Bergher, acompanhe a entrevista exclusiva, que fizemos na última semana, em seu apartamento, localizado em frente a um dos mais lindos cartões postais de nossa cidade: a praia do Leblon. Inspiração foi o que não faltou…Vamos lá?

.Um nome novo é sempre bom para a renovação de ideias e ideais. O que te levou a se candidatar para o cargo mais alto na hierarquia da comunidade judaica do Rio de Janeiro?

-Estamos vivendo numa época difícil, que exige a necessidade de uma liderança forte, que possa combater o antissemitismo, ao mesmo tempo, que essa liderança tenha um bom trânsito político, que permita a defesa dos interesses da comunidade judaica. Por esse motivo, uma parte representativa de nossa comunidade  convidou-me para concorrer a esse cargo, o que muito me honrou.

.O que você acha, que o seu pai Gerson Bergher, sentiria, ao ver um de seus filhos, assumindo um posto de tão alta envergadura?

-Acho que ele, onde quer que esteja, está muito orgulhoso  e acredito que esse era, sem dúvida, o seu maior sonho. Meu pai era um idealista e sempre trabalhou pautado nas causas sociais. Mantinha-se alerta e sempre disposto para atuar em prol dos judeus de nosso Estado. Acho que herdei esse idealismo dele e pretendo cumprir a minha nova missão com todo empenho e da melhor forma possível.

.Poderia citar algumas de suas atuações na vida comunitária?

-Sou atual presidente da Sinagoga Moriah e vice presidente do Cheder Lubavitch. Durante a minha adolescência e juventude fiz parte do Movimento Juvenil Dror Habonim e estudei no A.Liessin. Ao concluir o curso de Direito sempre trabalhei em prol das causas judaicas de altas complexidades como, por exemplo, a retirada de circulação no Rio de Janeiro do livro “Mein Kampf” e mais, recentemente, a restrição do Aiatolá iraniano Mohsen Araki no Brasil, que esteve em São Paulo em julho do ano passado para uma palestra sobre terrorismo. Ele, praticamente, ficou preso no hotel e não pode destilar, publicamente o seu discurso de ódio contra os judeus.

. Quais são hoje os maiores desafios da FIERJ, que você tem pela frente?

-A situação das Escolas Judaicas e o empobrecimento da nossa comunidade. Na questão das escolas vou formatar junto com o Vaad Hachinuch um curso de formação de professores, além de combater a concorrência desleal de cursinhos, que prometem resultados milagrosos.

Assim que assumir o cargo na FIERJ vou começar a colocar em prática o Projeto de Arnaldo Niskier da Universidade Hebraica do Rio do Janeiro. Para você ter uma ideia do potencial e capacidade da comunidade judaica, o Instituto Tecnológico ORT  é hoje, no Uruguai, a maior escola privada daquele país, com 12 mil alunos. Por que não fazer o mesmo, aqui no Brasil e no Rio de Janeiro? A ideia é oferecer quatro cursos distintos com ênfase em Direito e Tecnologia. Temos dois ministros judeus  no STJ, que poderão ser magistrados da futura instituição, como o ministro Luiz Fux e Luis Barroso. Na área tecnológica faremos parceria com o Technion, um dos maiores Institutos Tecnológicos do mundo. Esse é um projeto a médio prazo e aquecerá em muito a economia do Rio de Janeiro.

Em relação aos judeus carentes do nosso Estado, vou fazer um senso para descobrir quantos são e onde moram. Quero, que estejam mais próximos das nossa lideranças para que possamos atendê-los da melhor forma possível. Na minha gestão, não haverá um evento social que aconteça sem solicitar aos convidados, que tragam, pelo menos, um quilo de alimento não perecível. Faremos campanhas de agasalhos e tudo que for necessário para suprir a carência desses judeus.

.A FIERJ terá uma diretoria social focada nesses judeus?

-Com toda a certeza. Meu diretor social é o Alexandre Dodeles, que hoje trabalha, também, na diretoria do Residencial Israelita, antigo Lar de Jacarepaguá, e tem um projeto social muito bacana e que pretendo dar todo o apoio para implementá-lo.

Ary Bergher se reuniu com o Conselho Juvenil no Hashomer Hatzair (da esquerda para a direita): Asi Garbarz ( Hashomer), Gabriela Sznajderman (Betar), Bruno Kreszow (Dror) Tamar Moscavitch (Chazit), Alan Bermanzon ( Hashomer), Simone Dana ( Bnei Akiva) e João Miragaya (Dror)

.A comunidade judaica, bem como, toda a sociedade brasileira está dividida por ideologias políticas, o que acaba gerando conflitos, e, inadequadamente, expurgam na mídia. Como você pretende lidar com essa questão, sem que isso afete a sua atuação à frente da FIERJ?

-Meu partido é o judaísmo e vou trabalhar sempre pela união de todos, independente, de suas posições partidárias. Temos que cuidar de todos os judeus, de esquerda ou de direita. O momento é de união e não podemos deixar que questões pessoais interfiram no bem estar da comunidade. O meu time é o “Judaísmo Futebol Clube”.

.E por falar em esportes, quais são os seus planos para os clubes judaicos?

-Quero torná-los atrativos e para isso vou fazer campanhas em torno do esporte e do judaísmo. Quero retomar o projeto onde o sócio de um clube judaico possa ser, também, sócio dos demais, com passe livre para frequentá-los. Dentro dos propósitos sociais, vou trabalhar para que os judeus carentes tenham acesso gratuito aos nos clubes.

. Em relação aos jovens, alguma nova proposta para atraí-los para a vida comunitária?

– Vamos fazer junto com os Movimentos Juvenis a Marcha de Yom Yerushalaim, que é uma caminhada até o Alto da Boa Vista. Além disso, apoiaremos as iniciativas da garotada, sempre que possível, para estreitar e aproximá-los da Federação.

.Pretende dar continuidade aos atuais projetos da FIERJ?

-Sim, vamos continuar com o Programa Comunidade na TV e todos os projetos que nos são benéficos, com destaque especial para  execução e conclusão do Memorial do Holocausto no Alto do Pasmado em Botafogo.

Além de continuar o que está dando certo vamos introduzir novidades como a nova diretoria de empreendedorismo e desenvolvimento de negócios, onde iremos fomentar trocas entre empresas do Estado do Rio de Janeiro que tenham em seu quadro empresários judeus, como os principais acionistas.  Pretendemos apoiar e acelerar startups da comunidade criando  uma rede de mentores de negócios. Vamos criar o Hub FIERJ.

.O que é um Hub?

-Se tratando de startups, Hub é o nome que foi dado para ambientes, a fim de conectar pessoas onde elas possam trabalhar juntas, trocarem informações, criarem e empreenderem.

.Para encerrar, gostaria de enviar alguma mensagem especial para a Comunidade Judaica do Rio de Janeiro?

-Agradeço a Hashem por essa nobre oportunidade e prometo a todos que desempenharei minha função com muita retidão e, principalmente, com a mão no coração.

 

 

Um comentário

  1. NOE ELPERN
    NOE ELPERN 15 de agosto de 2018 at 21:03 |

    “…temos ministros judeus no STJ…”, não seria no STF?
    ”’…fazer um SENSO…”, não seria um CENSO…”?
    Desculpe a observação.
    Att.
    Noé

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