Meguilat Esther

E sucedeu nos dias de Achashverosh – o Achashverosh que reinou desde a Índia até a Etiópia, sobre cento e vinte e sete províncias. (Meguilat Esther, cap 1)

É assim que começa a Meguilat Esther, que se constitui no relato dos eventos históricos, ligados a Purim, que se acredita ter sido escrito pelos seus próprios protagonistas Esther e seu tio Mordechai.
É uma leitura curta e fascinante, que consegue transmitir, de forma clara e objetiva, o que se passou na Pérsia daqueles dias, mais ou menos em torno do ano 500 A.C, quando o poder do rei sobre a vida e a morte dos seus súditos era a regra.

Os personagens, que fazem parte da trama, são descritos de forma bem sintética e as ações principais são todas decorrentes de decisões individuais, conforme assumem os papéis de heróis ou vilões.
Mordechai é descrito como um homem judeu, da tribo de Biniamin, desterrado de Jerusalém e exilado pelo rei da Babilônia. Esther é a sua sobrinha órfã, que sendo muito bela foi levada pelas mãos do tio, para ser uma das candidatas à imperatriz da Pérsia, como outras centenas de moças do reino.
Já consciente do preconceito latente contra o seu povo e temendo pela sorte de sua protegida,

Mordechai aconselha que Esther não mencione a sua origem judaica.

A característica que diferenciava Mordechai dos que frequentavam as cercanias do palácio, era que ele não obedecia a ordem do rei de ajoelhar e se prostar diante de Haman, que era o ministro mais admirado por Achashverosh. Esse fato, que poderia ter ficado entre os muros do palácio, gera uma situação dramática, que põe em risco todo o povo judeu

Expediram-se cartas, por meio de homens dos correios, a todas as províncias do rei, para que aniquilassem, matassem e exterminassem todos os judeus, jovens e velhos, crianças e mulheres, em um só dia, no dia treze do duodécimo mês, que é o mês de Adar, e que lhes saqueassem os bens (Meguilat Esther, Cap.3)

A reação de Mordechai em Shushan, capital do reino, e dos demais membros do povo judeu foi se cobrir de cinzas, jejuar, chorar e se lamentar. Foi uma época de verdadeira escuridão para o nosso povo, que já amargava a situação de exílio.
Dizem os nossos sábios, que, nesse tempo, Deus estava tão oculto na vida e nas preces dos judeus, que o seu nome não é mencionado na Meguilat.
Coube à Rainha Esther mudar essa situação de desespero, aconselhada por seu tio e respaldada pelo grande amor que o rei lhe dedicava. Pelos seus méritos, o milagre aconteceu.
Com a aprovação do soberano, Haman e seus dez filhos foram enforcados. Mordechai assumiu um importante cargo no reinado e os judeus perseguidos foram autorizados a enfrentarem os seus perseguidores.
Essa história escrita há tanto tempo, lida, da mesma forma, no dia de Purim, em todas as sinagogas do mundo, por séculos, nunca foi contestada. Ao contrário de outras histórias de genocídio, que sofremos como judeus, há tão pouco tempo atrás, que já estão sendo negadas e revistas, apesar de todos os testemunhos orais e documentais.
Purim Sameach!

Um comentário

  1. Samuel Pustilnic
    Samuel Pustilnic 2 de março de 2018 at 16:30 |

    Realmente, a cada ano a leitura da Meguillat nos traz novas lembranças e meditações. Agora, notícias da França são bem ruins. Até um garoto de sete anos que passou com kippah foi espancado. Lojas, casas e restaurantes pichados. É a velha França do DREYFUS, do velódromo, ressuscitando.

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