Manipulação

O Brasil vive momentos difíceis, para dizer o mínimo. A briga de egos no STF, sua falta de independência e de postura nos leva a pensar que o medo de ‘apequenar-se’ vem se confirmando. E o que dizer do Congresso e dos governos estaduais e municipais? Melhor nem.

A convocação ocorrida na fronteira de Israel com Gaza nos mostra uma aula de manipulação. Embora O Globo não seja uma fonte de justiça ou de jornalismo imparcial, às vezes, é na leitura cuidadosa que se vislumbra alguma verdade dos fatos.

Assim, ao narrar os acontecimentos em que 16 palestinos morreram no dia do Pessach judaico, lê-se que foram ‘convocados por um ativista digital palestino, mas que a atividade foi encampada pelo Hamas, que instigou mulheres e crianças, famílias inteiras a acamparem ‘pacificamente’ junto à cerca de segurança que separa Israel de Gaza.

O ‘direito de retorno’ lembra o que aconteceu aos judeus que escaparam do nazismo e tentaram retornar às suas cidades; acabaram assassinados pelos novos ocupantes das casas que um dia lhes pertenceu. E os judeus foram expulsos de suas casas não porque estavam em guerra, mas apenas por serem judeus e devido ao plano de ‘limpar’ a Europa da presença dos filhos de Abraão.

Em Israel, as terras (pantanosas e/ou áridas) foram compradas de seus proprietários (a maioria egípcios) que ali mantinham árabes tomando conta das terras. A vida seguiu mais ou menos tranquila até a partilha da Palestina, em 1947 (devido ao Holocausto), que os países árabes não aceitaram, e que culminou em guerra, em 1948, na fundação do Estado (pela ONU que ainda se fazia respeitar) quando os judeus, traumatizados com tudo que haviam passado com o nazismo até 1945, viram-se envolvidos em um ataque ‘lançado pelos vizinhos árabes contra o novo Estado’. Em meio à guerra que conclamou os árabes que viviam em Israel para juntar-se ao exército atacante para jogar os judeus ao mar e destruir o Estado, milhares deixaram suas casas. A guerra foi vencida por Israel, e os árabes que haviam deixado o novo país se viram rejeitados por seus irmãos (também árabes) e presos em acampamentos, usados como bucha de canhão e propaganda política da pior espécie. Bandas de música animavam o protesto. Não nos lembra algo conhecido?

Enquanto o exército de Israel, nas várias guerras que seus vizinhos iniciaram, lançava folhetos para que a população deixasse suas casas, pois o local seria atacado (casas, hospitais e escolas serviam de base para guardar armamento de terroristas, como o mundo sabe), os terroristas que dominavam – e dominam – o local obrigavam a população a ficar nos imóveis, a fim de serem usados como escudos humanos e fabricar mártires. Sem falar nas fake News, já ali uma constante, de crianças mortas que se levantavam após a filmagem, imagens que não faziam parte da guerra local sendo usada de má-fé como se dali fosse, e tantas outras.

Sim, existe um vazio na liderança palestina, e Mahmud Abbas mente, dizendo palavras diferentes para a população árabe e para o noticiário internacional. A convocação de ataque em Pessach é mais uma afronta. O Ramadan e outros feriados árabes são respeitados por Israel, mas ataques terroristas em Pessach (e no Yom Kipur) não são novidade para os judeus. É preciso respeitar para ser respeitado, e não se pode mais aguentar semelhantes provocações.

Israel retirou colonos e soldados de Gaza em 2005, sem que nada acontecesse, e as restrições de trânsito na fronteira devem-se à construção de túneis clandestinos cavados por árabes para o contrabando de gêneros alimentícios, mas primordialmente para o contrabando de armas a serem usadas contra Israel.

Embora o supervisor ‘educacional’ Hamed Jundiya tenha dito ao ‘New York Times’ que levantavam a bandeira da paz e não tinham nada para ferir o inimigo, houve lançamento de coquetéis Molotov contra os soldados que guardam a fronteira, e terroristas do Hamas infiltrados entre a população (como os nossos black block?), que abriram fogo contra os soldados. Não lembra os rapazes que atiraram um foguete que atingiu um jornalista e o matou, num dos protestos pacíficos da outrora bela cidade carioca? Não é um acampamento de escoteiros, e sim uma zona de batalha, afirmou o porta-voz do exército israelense. A ideia dos líderes palestinos, que abusam da população mais pobre, enquanto uma porcentagem mínima usufrui de vida tranquila e confortável, é ‘provocar um conflito, organizando confrontações em massa’. Não conseguiram fundar um Estado em 70 anos porque jamais interessou a independência, mesmo assinando os Acordos de Oslo e recebendo mais terras de Israel. Era muito mais interessante, para os líderes palestinos, manter o status de refugiados e ter mártires prontos a ganharem o céu e as 72 virgens prometidas.

O Brasil não suportaria ataques similares em sua fronteira, nem tampouco qualquer outro país fundado legalmente. E tal se exige de Israel. Entretanto, nossa educação brasileira deteriorada fomenta a disseminação de pessoas dominadas por líderes carismáticos, que lhes promete algo que jamais terão: sua independência econômica e intelectual.

A organização de Direitos Humanos israelense afirmou que matar alguém desarmado é ilegal, a não ser que a vida dos soldados corra perigo. Mutatis mutandi, a lei brasileira também admite a morte de quem nos ataca, se for para garantir nossa vida. Aconteceu com Euclides da Cunha, que atirou contra Dilermando de Assis e foi morto em legítima defesa do jovem que tentou matar. A vida é sagrada.

Tentativas vêm sendo feitas, de ambos os lados, por parte de grupos pacifistas, de se encontrar um meio de convivência – apesar dos terroristas. Os árabes, por exemplo sempre encontraram trabalho em Israel, enquanto não se mostrassem dominados pelos terroristas. Hoje, muitas de suas vagas são ocupadas por filipinos. Israel quer paz, e ela só pode ser obtida numa mesa de negociações. Terra já foi dada, e nos países vizinhos há muito mais a ser ocupada, mas sem vontade política, nada será alcançado. O volume de dinheiro que chega aos seus líderes para construir um Estado para a população que vive manipulada não pode mais ser usado para enriquecer governantes desumanos.

A história do povo de Israel conta com muita dor e sofrimento. A história dos árabes e dos judeus tem, também, muitos pontos de longa amizade e solidariedade. História que os manipuladores que governam Gaza e outros pontos do planeta fazem questão de ignorar e até de negar. Mas alguns jovens árabes já visitaram o Yad Vashem, o Museu do Holocausto e têm ciência de que Israel não é inimigo. Quer apenas viver em paz, mas não abdicará de sua dignidade e de seu direito a um lar.

Manipulados são também os brasileiros que, por muito pouco, e sem saber que podem muito mais através da educação, entregam seu destino a impostores. No fundo, no fundo, todos merecem uma vida com humanidade. O que explode nos seres humanos é resultado de muito descaso e abuso. De governos fracos e torpes. Mais uma vez, somos obrigados a reconhecer que a educação faz a diferença entre um homem e um pobre coitado manipulado. É preciso ler, e ler com muita atenção, nas entrelinhas. Quão terrível é constatar a deterioração humana causada pela manipulação! Hora de mudar a História.

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