Lendo sobre Gaza

Leio sobre a experiência em Gaza vivida por uma colunista do jornal O Globo. Uma visão parcial. Não tenho dúvidas de que jovens em Gaza vivem sob pressão intensa. Do Hamas, que domina a área. Embora ela tenha passado um tempo lá, nada menciona sobre a negativa do grupo terrorista de permitir a ajuda humanitária de Israel, especialmente nestes dias conturbados em que o grupo convocou milhares para provocar Israel e se tornarem mártires da causa. Causa de guerra, pois não há causa para qualquer paz. Toda terra devolvida por Israel foi vandalizada, em nenhum pedaço se viu construção ou mera continuidade do que já havia sido plantado no lugar. Não. Destruição, morte, chumbo e dor são os instrumentos do Hamas.

A jornalista não passou uns dias em casas de israelenses que vivem sob a área onde caem foguetes diários, dando 15 segundos a crianças, jovens e idosos para correrem até o abrigo mais próximo. Nenhuma história tem um lado só, embora os judeus pareçam não sugerir sentimentos de empatia mundo afora.

Netanyahu passará. O Hamas passará. Trump também passará. Israel ficará. Sugiro que colunista Adriana Carranca passe uns dias em Israel, debaixo de foguetes terroristas rotineiros, para então dar uma opinião da situação local mais proporcional e racional.

Outro artigo, desta vez na revista Época, que me chega graciosamente junto com o jornal e que leio quando há artigo que inda não vi ou ouvi na TV.

Salem H. Nasser é professor de Direito Global da FGV Direito SP, e escreve sobre ‘Tragédia e Retorno’. De novo, a visão parcial, que zomba dos judeus, que ‘pegaram carona’ na promessa bíblica e escolheram a Palestina para o lar do povo judeu, sabendo que ali havia palestinos, cristãos e judeus. É verdade. Se o professor lesse a biografia de Saladino ou de Maimônides, saberia que o médico e filósofo judeu foi médico do sultão que unificou o povo árabe, e que pediu a Maimônides que seus filhos continuassem a cuidar de sua família após a morte do chefe árabe. No século XII havia judeus na Palestina, mas nenhuma academia, queixa-se o médico amante do estudo. Ele e Saladino Foram amigos, e há vários outros casos de forte amizade entre árabes e judeus, especialmente durante as perseguições católicas.

Sim, todos sabiam que havia palestinos vivendo na minúscula área que foi dada a Israel pela ONU após o Holocausto, e todos que estudam e leem sabem que judeus compraram muitas terras na Palestina, ofereceram paz e boa vizinhança.

O professor devia ler mais sobre os judeus e saber quem começou as hostilidades quando as terras deixaram de ser pantanosas e Israel floresceu. E as guerras, inclusive a de 1948, foi iniciada pelos árabes, que sim, convocaram os residentes no recém fundado Estado a partirem, para retornarem junto com os exércitos árabes e expulsar os judeus. Se houve expulsão, foi durante a guerra. Ao contrário dos judeus europeus, expulsos de suas casas em toda a Europa apenas por serem judeus, objeto do ódio louco de Hitler e seus asseclas. Esgotados pelos longos padecimentos sob o nazismo, os judeus de Israel se viram novamente, antes mesmo da criação de Israel, diante de ameaças de morte. Basta ler sobre os ataques contra a população judaica que aconteciam temporariamente.

Entretanto, a guerra de 1948 foi vencida por Israel, e outras vieram. E a cada uma vencida pelo Estado de Israel, judeus que residiam em países árabes eram humilhados, seus bens confiscados e viam-se expulsos sumariamente.

Ah, sim, o mundo não os considerou refugiados porque tinham Israel ou outro país para onde ir. Conheci alguns que vieram para o Brasil, deixando casa e loja na Síria, no Irã… O mundo não se emocionou com os judeus. Os árabes que deixaram Israel, por sua vez, não se fixaram em nenhum país árabe porque foram rejeitados pelo seu povo, que optou por mantê-los como refugiados e tirar proveito (inclusive financeiro) da situação. Já os árabes que decidiram ficar em Israel são cidadãos, frequentam shoppings, bares, universidades, chegam a ser ministros. O professor devia visitar Israel e ver a realidade. Há judeus e palestinos pobres? Sim, há.

Por outro lado, quantos judeus em países árabes têm vida política? Nenhum. Quantos judeus podem visitar países árabes? Não podem. Há países cristãos, países budistas, e Israel é um país criado para ser o lar de judeus que desejem ir para lá. Mas não é fechado a amigos de outra fé. Há cristãos e muçulmanos em Israel. Respeitados. Basta ver como é bem cuidada a área cristã. Como nunca antes. Se muitos dos palestinos que lá residem ainda não têm o status ansiado, a Educação poderá ajudar. A educação faz toda a diferença. O judeu tem tradição de estudo incessante desde sempre, e anseia pela paz. O mundo, nosso velho planeta, anda doente e exausto de tanta guerra. É mais do que tempo de aceitarmos uns aos outros, de educarmos nossos jovens para a solidariedade, e de trocarmos as armas pelo trabalho em conjunto. Insistir no caminho para o abismo levará ao fim da civilização. É preciso salvar a humanidade de tamanho desastre. Só cabe a nós. Em Israel, Europa afora, aqui em nosso sofrido Brasil. Paz! Paz! Paz!

2 Comentários

  1. jorge Josef
    jorge Josef 22 de maio de 2018 at 14:47 |

    È bom ler a Miriam Halfin, desintoxica de tanta mentira circulando na imprensa brasileira. A verdade
    hístoríca exposta de maneira didática é irrespondível. Mas precisamos de mais vozes para se contrapor á avalanche antísemita que covardemente vem sobe vários disfarces. Parabéns sempre á Miriam Halfin
    ……J.J.

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  2. Manoel Adler
    Manoel Adler 23 de maio de 2018 at 23:24 |

    Lindo e verdadeiro…
    Vamos divulgar o máximo,em respostas e explicações,pois a ignorância é proposital.

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