Idosos buscam segurança para navegar na internet

Aliados dos idosos, computadores e redes sociais merecem cuidados que, na realidade, valem para todos nós

Até os 71 anos, a aposentada Celina não tinha se rendido aos computadores, celulares e tablets. Tudo mudou quando ela foi apresentada ao Skype, para se comunicar com familiares que moram na Alemanha e os netos que moram em outra cidade. “Agora uso o Facebook e tenho meu tablet”, conta Celina, hoje com 76 anos. Foi assim também na vida de Celia, 72 anos, que aderiu às redes sociais aos 70 anos. “Uma amiga me disse para comprar um computador, porque eu ficava muito sozinha.

Aprendi a mexer e a gostar, é uma distração”, salienta. As comodidades do mundo digital, no entanto, devem vir acompanhadas de cuidados com a segurança.

No caso das duas mulheres, elas usam a experiência adquirida ao longo da vida e os conselhos antes dados aos filhos e netos (como “não fale com estranhos”) no ambiente online. “Não digo onde estou, não exponho a minha intimidade e não aceito quem não conheço ”, conta Celina. “Não passo meu e-mail para qualquer pessoa e também nunca coloco dados bancários nas redes”, completa Celia.

Os cuidados e as boas práticas não são excessivos, afirmam especialistas. Crescem a cada dia o número de quadrilhas especializadas em aplicar golpes em idosos através da internet. “As pessoas se aproximam usando a inexperiência deles com as plataformas digitais e pedem ajudas financeiras e até se aproveitam da solidão, marcando encontros reais com eles, que acabam sendo vítimas de roubo e extorsão”, diz uma especialista que atua em mídias sociais.

No entanto, os cuidados não devem limitar a criatividade e o uso das ferramentas. Os idosos devem ser auxiliados, fazer curso e aprender e entender que nem tudo o que está nas redes é verdade, mesmo que sejam informações compartilhadas por quem eles conhecem.

Leandro Pulgatti, coordenador do curso de Auditoria e Segurança da Informação da Universidade Positivo concorda.“Isso acontece porque eles ainda não conhecem a tecnologia e a ânsia de explorar e aprender tudo do mundo digital acaba por torná-los mais vulneráveis. E muitas vezes a necessidade de se relacionar os deixam mais expostos e propensos a revelar informações pessoais, como endereços e números de telefone ou de cartão de crédito”, avalia Pulgatti.

Auxílio
Apesar do lado perigoso da rede, as pessoas da terceira idade não devem ser monitoradas ao usar o ambiente digital, mas sim ensinadas e auxiliadas. Oideal é ensinar e direcioná-los, apresentando os perigos e dando exemplo do que pode e o que não pode. Saber diferenciar o que pode ou não ser dito ou em quais informações confiar é algo que leva tempo e deve ser treinado todos os dias. Os netos são ótimos companheiros nessa jornada de descobrimento, porque uma criança ou adolescente tem total domínio da ferramenta e acaba por ensinar como usar o equipamento.

Confira as dicas dos especialistas para os idosos:

Pergunte
Não tenha medo de usar ou de perguntar o que você não sabe. Peça para os seus netos umas aulas ou increva-se em um curso.

Amigo mesmo?
Nunca aceite o convite ou converse com pessoas que você não conheça.

Procure direito
Se procurar o Zé Maria da escola, não adicione todas as pessoas com esse nome. Peça ajuda e tente procurar por algo mais do que o primeiro nome.

Não compartilhe
Lembre que o que é colocado na internet não pode ser apagado, assim nunca forneça dados importantes a ninguém (números de conta corrente ou senhas).

Desconfie
Desconfie de promoções boas demais ou prêmios inesperados. Cuidado ao receber e-mail de bancos ou pessoas que se dizem do governo ou da polícia, que nunca pedem informações pessoais por e-mail.

Links perigosos
Não clique em links que recebeu por e-mail, principalmente vindos de pessoas que você não conhece

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