FEBEAPÁ

Para os não iniciados no mundo do Stanislaw Ponte Preta, FEBEAPÁ significa “Festival de Besteiras que assola o País”. Para ser mais direta, nunca, na nossa história, houve uma conjugação tão tenebrosa dos astros, para que retrocedêssemos vinte anos em dois.

Não se sabe quem está fazendo mais força para prestar um desserviço à nossa pátria. Como num campo de futebol, vem canelada de todos os lados. E o time da população brasileira, quando consegue driblar uma crise, logo em seguida, é vítima de outra e o gol – o progresso do país – fica cada vez mais distante, senão impossível.

O Executivo, imerso num mar de lama, só faz garantir, através de conchavos, a chegada de botes salva vidas, para quando tiver que abandonar o barco. O legislativo se preparando para o desembarque com tanta destreza, que nem precisou ensaiar as quadrilhas, dançadas no mês de junho, por esse Brasil afora. A única sinalização, que aparece no painel luminoso das casas legislativas, atende pelo nome de Fundo Partidário.

O Judiciário, ah o Judiciário!… Quantas lições de conhecimento jurídico estamos acumulando, por conta da mais alta corte do país. Tive que viver mais de seis décadas para aprender que existe ministro garantista, que cumpre ipsis litteris a constituição, ou mais conhecido como: “dane-se o mundo, que não me chamo Raimundo.”; e ministro consequencialista, que interpreta a Carta Magna, de olho nas consequências, para a sociedade, da aplicação das leis.

Soube, também, que existe uma primeira turma, no Supremo, que prende, e uma segunda que solta, como os remédios que usamos para controlar as funções dos nossos intestinos. A primeira é conhecida como câmara de gás, já a segunda, como Jardim do Eden. Adivinhem quem é o jardineiro chefe, que nos surpreende a cada dia com o seu saco de bondades? Só uma pista: foi o juiz, que arquivou, nessa sexta feira, os processos de Aécio Neves e do senador Jorge Viana do PT.

Aprendemos, ainda, que presos de colarinho branco, mesmo condenados a trinta anos de prisão podem ser soltos a qualquer momento, contrariando decisão da Suprema Corte. Que mesmo vigorando a prisão depois da condenação, em segunda instância, o réu pode apelar indefinidamente, ainda mais se for ex-presidente da república. E que “Ficha Suja” não vale para todo mundo. A conferir, em meados de agosto. Com a palavra o Supremo Tribunal Eleitoral.

Mas o pior é que as bancas de advogados, que só fazem encher os seus cofrinhos, agora, escolhem o juiz ou a turma que vai julgar os seus ilustres clientes. Isso na mais alta corte do país. Imagina se a moda pega? Você processado escolhe o juiz de sua preferência. Que beleza, como diria aquele locutor esportivo.

Sabe aquela imagem, que correu o mundo, do defensor da Nigéria, no jogo contra a Croácia, encostado na trave, com a mão na cintura, vendo, impassível, a bola entrar no seu gol? É assim que nós, contribuintes, ficamos depois de qualquer decisão dos nossos podres poderes. Até quando?

Até, no meu entender, conseguirmos eleger representantes, que trabalhem verdadeiramente, com V maiúsculo, pela melhoria de vida do povo brasileiro e pelo progresso do Brasil. E a via democrática é a única alternativa.

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