Farmacêuticos apontam 7 erros de medicação e ensinam como evitá-los


O médico receita um remédio com uma dose de 5 mg, mas, na farmácia, você encontra uma promoção tentadora na dose de 10 mg. É só cortá-lo ao meio, certo? Errado. Este é apenas um dos 7 erros de medicação mais comuns cometidos pelos brasileiros.

Abrir a cápsula para dissolver o conteúdo na água
Se o paciente abre a cápsula para ingerir o pó de maneira isolada, com líquidos, além de o princípio ativo poder perder suas propriedades, também corre o risco de irritar a mucosa gástrica ou intestinal.

A cápsula faz com que o medicamento seja dissolvido, liberado e absorvido aos poucos. Se a pessoa tiver dificuldade de ingeri-la, deve avisar o médico para ele veja se o mesmo princípio ativo existe sob outra forma farmacêutica: dispersão, emulsão, lâmina de absorção sublingual, solução ou xarope.

Cortar o medicamento
Nenhum comprimido deve ser partido. Os revestidos são os que merecem mais atenção. O revestimento protege o medicamento da ação da luz, do ar e da umidade, que provocam a degradação da substância ativa e a perda da ação.

E nada de aproveitar uma promoção de uma dosagem maior e parti-lo ao meio. É praticamente impossível cortar em metades iguais. Vamos dizer que seja um medicamento para regular a pressão. Quando a pessoa toma uma parte, com 53%, por exemplo, a pressão fica ok, mas, quando toma a dos 47%, essa dosagem pode não segurar a pressão, que acaba subindo. Ao longo do tempo, esse sobe-e-desce pode ser extremamente deletério à saúde. Além disso, estudos mostram que, mesmo usando equipamentos de corte, há diferença na dosagem de cada porção.

Dobrar a dose em caso de esquecimento
Esqueceu-se de tomar o remédio? Volte a tomá-lo assim que lembrar. Mas nunca dobre a dose.

Guardar os remédios na cozinha ou no banheiro
Os medicamentos devem ser mantidos longe do calor, da umidade e da luz, ou seja, jamais podem ser deixados na cozinha perto do fogão ou forno, no banheiro ou no carro. Também recomenda-se conservá-los dentro de suas respectivas caixas, com a bula.

Outro ponto importante é retirá-los do blister (invólucro de alumínio) somente na hora da ingestão, pois foi desenvolvido para resistir a agressões normais, como excesso de exposição a calor e umidade. “Tirar das embalagens pode fazer com que o fármaco reaja com o ambiente e sofra contaminações.

Quem faz uso de muitos medicamentos e costuma utilizar embalagens fracionadas com todos eles juntos deve ficar atento à higiene do suporte. O ideal é que se organizem esses medicamentos para, no máximo, uma semana. O prazo de validade escrito na caixinha diz respeito àquela embalagem. Ao modificá-la, modifica-se também o medicamento.

Ingerir o medicamento com leite
Por ser rico em cálcio, o leite pode diminuir o efeito de alguns medicamentos, especialmente dos remédios usados no tratamento de problemas da tireoide, como a Levotiroxina; de alguns antibióticos, como Levofloxacina, Quinolonas, Tetraciclina ou Norfloxacino; ou dos suplementos de ferro.

Isso acontece porque o cálcio se liga às substâncias presentes nesses remédios, tornando-as mais difíceis de absorver no estômago, especialmente se for ingerido duas horas antes ou depois da tomada do medicamento.

A alimentação pode interferir na ativação ou inativação do fármaco. Por isso ele recomenda perguntar ao médico qual seria o momento ideal para tomar cada tipo de medicação.

Misturar com bebida alcoólica
Essa mistura pode potencializar o efeito do remédio e intoxicar o organismo, ou ainda atrapalhar o efeito terapêutico. A maioria dos medicamentos, assim como o álcool, é metabolizada no fígado, e essa mistura pode demandar muito trabalho do órgão. Algo semelhante pode acontecer com os anti-inflamatórios, mas, neste caso, as alterações ocorrem nos rins.

E atenção: Ansiolíticos, antidepressivos e antialérgicos com álcool nunca. O mais comum é potencializar os efeitos colaterais, causando sintomas como náuseas, tonturas, sonolência e diminuição da habilidade motora, principalmente no caso dos antialérgicos. Já no caso de ansiolíticos ou antidepressivos, a mistura pode ocasionar depressão do sistema nervoso central, parada respiratória, coma e até morte.

Tomar de uma vez vários remédios
Quem toma muitas drogas deve pedir auxílio para o médico ou para o farmacêutico para elaborar um calendário diário. Deve mencionar os medicamentos prescritos por todas as especialidades e não esquecer dos suplementos (como vitaminas, ômega 3 e ginseng) e fitoterápicos.

Para melhores resultados, avalia Ferreira, o ideal é a administração fracionada, com intervalos de duas horas entre os fármacos. Mesmo não sendo o mais prático, é o mais aconselhável para bons resultados terapêuticos. E exemplifica: não se deve tomar sulfato ferroso com antiácido ou antibiótico com antiácido, sem ao menos uma hora de intervalo entre eles. Eles competem entre si, sofrendo desativação.

O consumo de múltiplos remédios [mais de 5], chamado de polifarmácia, aumenta consideravelmente os riscos como toxidades cumulativas e menor adesão ao tratamento das doenças. Portanto, o consumo deve ser feito de maneira segura e consciente.

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