Encontros com Shakespeare, encontros com Cultura

Desde março deste ano, ando, mais uma vez, às voltas com William Shakespeare. A convite da Casa da Leitura, parte da Fundação Biblioteca Nacional, comecei os Encontros com Shakespeare, ao lado da psicanalista Lísia Filgueiras. O módulo I abarcou seis peças e temas afins, como ‘As personagens femininas em Shakespeare’ ou ‘Shakespeare e os escritores’. Foram encontros divertidos, em que a participação da plateia alimentava a discussão, assim como os pontos de vista de Lísia, psicanalista, e meu, com mestrado em Literatura Inglesa, devolviam a matéria para a audiência. O curso foi gratuito e tinha público variado, desde jovens até idosos, desde diretores de teatro até pessoas em busca de mais cultura. E havia o momento em que atores vinham ler trechos das peças, para posterior discussão.

O término do Módulo I, em junho, 28, teve Samile Cunha, brilhante carnavalesca e PhD em Semiologia, professora da UFRJ através de seu alter ego Samuel Abrantes (não sei bem quem é alter ego de quem, mas um e outra são geniais), figurinista de primeira, que veio vestida num incrível Próspero, protagonista de A Tempestade. Aliás, já na primeira aula, Samile veio ajudar a explicar a época de Shakespeare, o mundo Elisabetano, e fez uma exposição inesquecível, vestida de Elizabeth I. O Módulo I foi um sucesso, terminou com brilho e festa, além de certificado, e suscitou um Módulo II.

Neste, que se iniciou em agosto, decidimos que quatro peças seriam abordadas, em duas aulas quinzenais. Lísia Filgueiras iria para um mestrado em Lisboa e ficou com ‘Hamlet’, em agosto. Convidamos o professor William Soares dos Santos, da UFRJ, que recebeu ‘MacBeth’ e ‘Romeu e Julieta’, peças das quais se incumbiu em setembro e outubro. Coube-me ‘Júlio César’, em novembro, e a razão é simples. Samile Cunha/Samuel Abrantes aceitou, mais uma vez, participar dos Encontros como Marco Antônio, no qual falará do célebre discurso que é uma verdadeira aula de Retórica – e Manipulação. Assim, dia 13 de novembro, teremos um encontro para ler em conjunto a peça e no dia 27 o fecho de ouro, com direito a festinha de término de curso, certificado e fotos. E tudo gratuito, bastando a vontade de encontrar Shakespeare e pessoas apaixonadas por Cultura, nesses dias tão difíceis para ela em nosso país.

Tenho a alegria de participar, pelo segundo ano, de um projeto da Casa da Leitura, e me declaro sempre aberta à Educação e à Cultura, que amo tanto quanto amo pessoas. Onde for, de qualquer modo.

Depois de concluído o Mestrado na UFRJ, fui aluna de João Bethencourt, o comediógrafo, por vários anos e depois tive sua amizade até seu falecimento. Dentre o muito que ele me ensinou, costumava dizer que uma peça deveria conter uma verdade para merecer ser vista e elogiada. Fazer teatro no Brasil é uma missão, uma vocação, um vício, uma necessidade. ‘Meus Duzentos Filhos’, e antes dela ‘Eugênia’, tem recebido o carinho do público e de críticos. Convidados em julho para duas apresentações no festival de teatro do Midrash, seguimos até o fim de setembro, e fomos adiante em outubro, e agora, após o rabino Nilton Bonder ter conseguido agenda para assistir à peça, fomos convidados para seguir até meados de dezembro. Ao mesmo tempo, o Centro Cultural de Justiça Federal nos chamou para mostrar a peça em seu teatro de 17 de agosto a 23 de setembro do ano corrente, de sexta a domingo, e a partir do dia 4 de novembro, acumularemos o Midrash com outro teatro, o do Planetário, de quinta a domingo.

Se a peça tem uma verdade, basta vir e confirmar. E a verdade é que enquanto homenageamos e honramos homens como Janusz Korczak, permanece viva a esperança de um mundo melhor, mais humano, mais inteligente, mais perto de um convívio humanista e fértil para todos nós e as gerações por vir. Na política, vença quem vencer, chega de corrupção e viva a democracia. Por um Brasil melhor. Shalom.

Comente