Curiosidades da Ilha de Marajó

Localizada ao norte do estado do Pará, cerca de 90 quilômetros de Belém, a Ilha de Marajó compõe com aproximadamente três mil ilhas o considerado maior arquipélago flúvio marítimo do mundo. O nome recebi- do, de acordo com relatos históricos,
pode ter origem na palavra indígena “Mibaraió” que, em Tupi, tem como significado “anteparo do mar”. Teria sido colocado por associação geográfica, pois a sua localização é cercada por rios e também pelo mar. A população atual é de aproximadamente 530 mil habitantes e seu território dividido em quinze municípios, sendo Soure o mais conhecido.

A ilha é considerada um santuário ecológico da Amazônia, possuindo belezas naturais divididas em planícies cobertas de savana e também florestas. Mesmo fazendo parte da região amazônica, é possível encontrar praias de água salobra e também igarapés, conhecidos como curso d’água amazônico de primeira, segunda ou terceira ordem. Tendo o clima equatorial úmido dominante, o território é marcado por chuvas constantes que ocasionam a formação de campos alagados. Além do seu poderoso ecossistema que é representado por uma variedade de peixes e pássaros, a ilha abriga o maior rebanho de búfalos do país, chegando a 700 mil cabeças, o que ultrapassa o número de habitantes do local. O animal, de origem asiática, chegou à ilha em 1890 e a sua multiplicação aconteceu devido aos aspectos físicos e climáticos locais, sendo um dos impulsionadores econômicos. A pesca, a extração de madeira, açaí e borracha também são fatores que servem de sustento econômico, sem esquecer do turismo.

Algumas teorias afirmam que a ilha teria sido o primeiro ponto do território brasileiro a ser visitado pelos europeus, especificamente, dois anos antes da chegada dita como oficial. Duarte Pacheco Pereira, militar, navegador e cosmógrafo português, teria sido o explorador do local em 1498, porém não existe nenhuma comprovação histórica sobre esse fato.

Muito antes da chegada dos portugueses, entre 400 e 1300 da Era Comum, a Ilha de Marajó já era habitada e a sua população era formada por indígenas com uma cultura bastante avançada, sendo até comparada com a pré-colombiana. A sua arte, denominada arte marajoara, ficou marcada pela beleza explícita em vasos, potes, tigelas, adornos e outros, seguindo um estilo único e precioso, sendo apreciado, futuramente, como preciosidade em diversos países do mundo. Quando os portugueses chegaram à região, por volta de 1616, foram confrontados com nativos que apresentavam uma língua total- mente diferente do habitual, batizando-os então como Nheengaíbas ou “língua difícil”. A cultura desses habitantes pode ser considerada como o acúmulo milenar de conhecimento, onde diversas formas de expressões artísticas, curas medicinais, tendências arquitetônicas e histórias míticas ainda são usadas em diversos setores do mundo moderno.

A facilidade de acesso às riquezas da região amazônica e também a cultura indígena baseada na rede de trocas
de matéria-prima, fez com que a região fosse um foco importante da colonização europeia, com a presença de países como a Holanda, Inglaterra e França marcada pelos interesses de dominação da região. Os portugueses, em meados do século XVI, acreditando ter posse do território e incomodados com a presença dos outros colonizadores, uniram-se aos índios, fazendo com que os franceses, holandeses e ingleses fossem expulsos do local.

Essa junção de forças entre nativos e portugueses começou a ser destruída quando os índios começaram a ser escravizados, fazendo com que grande parte da população indígena fosse extinta da região, seja pelo conflito ou pela troca de localidade. Os índios nativos da região do Marajó possuíam uma riqueza arqueológica magnífica, descoberta apenas na metade do século XIX. A maioria dos objetos e vasos cerâmicos encontrados, feitos por nativos, foram exportados para outros países, deixando apenas uma pequena parte que pode ser encontrada no Museu Paraense Emílio Goeldi e também no Museu do Marajó, em Cachoeira do Arari. A região amazônica, devido ao seu riquíssimo ecossistema e questões gerais importantes para a época, quase sempre esteve no imaginário estrangeiro, sendo alvo de imigrações no decorrer da história.

A Ilha de Marajó, conforme apresenta- da, também esteve presente na lista de locais no Brasil vista por imigrantes como uma “esperança” de vida melhor, dando destaque aos judeus marroquinos, que também vieram para região trazendo uma bagagem
histórica notável.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um comentário

  1. Tito Oliveira
    Tito Oliveira 26 de novembro de 2021 at 18:52 |

    Iria,
    Um belo relato de uma região desconhecida. Não só pela povoamento por parte dos judeus e sua aclimatação (não deve ter sido fácil) mas também por parte dos outros povos que acorreram no ciclo da borracha.

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