Clarice Lispector – 2020, centenário de seu nascimento


Clarice Lispector nasceu no dia 10 de dezembro de 1920, em Tchestchelnik, aldeia da Ucrânia, então pertencente à Rússia.
A família chegou ao Brasil em 1922, na cidade de Maceió, adotando novos nomes. Haia, que tinha dois anos de idade, se tornou Clarice. Pouco tempo depois a família se mudaria de Alagoas para Recife em busca de melhores condições de vida. Anos depois, com a morte da mãe de Clarice, os familiares foram viver no Rio de Janeiro.

A escritora, pertencente à terceira fase do movimento modernista, imprimiu em suas obras uma literatura intimista, de sondagem psicológica e introspectiva, com mergulhos no pensamento e na condição humana.

Assim a escritora explica a sua literatura: “não escrevo para fora, escrevo para dentro”. Romancista, contista, cronista, tradutora e jornalista, Clarice é considerada uma das maiores escritoras do Brasil.

 

Em 1942, escreveu seu primeiro romance “Perto do Coração Selvagem”. Segundo a autora, escrevê-lo foi um processo de angústia, “pois o romance a perseguia”.

Em 1943 Clarice naturalizou-se brasileira e casou com um diplomata, o que a fez viver em vários países (Estados Unidos, Inglaterra, Itália e Suíça), onde escreveu os seus primeiros livros.

Nesse mesmo ano, publicou “Perto do Coração Selvagem” que foi bem aceito pela crítica brasileira. A narrativa já mostrava o seu estilo pessoal, um romance urbano que explorava o campo psicológico das personagens e o uso do monólogo interior (discurso da personagem na primeira pessoa, em que ela reflete sobre seus sentimentos, ideias ou experiências). Muitos textos retratam as angústias do universo feminino.

Em 1959, após seu divórcio, Clarice voltou a residir no Brasil, no Rio de Janeiro, e publicou alguns de seus livros principais, como “Laços de Família” (1960), A Paixão Segundo G.H. (1964), “Água Viva” (1973) e a “Hora da Estrela” (1977). “Meus livros, felizmente, não são superlotados de fatos, e sim da repercussão dos fatos no indivíduo”, afirmou.

Algumas de suas frases:
“Qualquer um pode amar uma rosa, mas é preciso um grande coração para incluir os espinhos”.

“Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso, nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício”.

Na opinião de Hélio Pellegrino, psicanalista, escritor e poeta brasileiro, ela foi diferenciada: “Clarice foi um ser assinalado, convocado a revelar o mistério que arde no coração das pessoas e das coisas. À semelhança de Van Gogh, ela sabia, com a pele do corpo e da alma, que debaixo de tudo, lavra um incêndio. E dedicou-se a anunciá-lo, através da linguagem”.

 

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