Chaim Soutine – um pintor expressionista


Chaim Soutine nasceu numa pequena aldeia da Lituânia, chamada Smilovitchy (naquele momento pertencente ao Império Russo), em 13 de janeiro de 1893. Seu pai, um alfaiate, não via com bons olhos o interesse do filho pela arte pictórica. Dentro da comunidade ortodoxa na qual viviam, estava proibida a representação de imagens.

Em 1909, Soutine mudou-se para Minsk, onde recebeu suas primeiras lições artísticas. No ano seguinte preparou-se para o ingresso na “Escola de Belas Artes” de Vilnius. Em 1913, finalizando seus estudos em Vilnius, se mudou para Paris, estabelecendo-se em Montparnasse, junto a outros artistas. Soutine vivia em condições precárias, ainda assim prosseguiu com seus estudos na “Escola de Belas Artes” de Paris, sob os ditames de Fernand Cormon. Nessa época conheceu Modigliani, de quem ficou amigo e serviu de modelo para retratos pintados pelo artista italiano.

Em 1943, o colecionador norte-americano Albert Coombs Barnes comprou um grande número de obras do pintor, com isso a condição financeira de Soutine melhorou consideravelmente. Sua primeira exposição individual aconteceu em 1927 na galeria Henri Bing, e ele entrou definitivamente para o mercado das artes.

Com o início da Segunda Guerra, começou o seu declínio. A cidade foi invadida pelos nazistas e o artista optou por deixar Paris e refugiar-se em uma pequena cidade perto de Tours.

A angústia agravou-se e comprometeu a saúde do pintor, que sofreu uma crise de úlcera perfurada no estômago, forçando-o a uma cirurgia de emergência. Chaim Soutine morreu na mesa de operações em 9 de agosto de 1943 (aos 50 anos) e está sepultado no cemitério de Montparnasse.

Soutine sofreu influência de artistas como Cézanne, Rembrandt e El Greco, e pode ser definido como um pintor expressionista. Pintava de forma delirante, como possuído por um ataque febril. Foi comparado com o grande mestre pós-impressionista Van Gogh. Seus quadros possuem uma textura pastosa e apresentam grande força cromática. Sempre pintava com um modelo à sua frente.

Soutine horrorizava seus vizinhos, pois trazia carcaças de animais para o estúdio a fim de que pudesse pintá-las (“Carcass of Beef”). O fedor e o sangue que escorria por baixo da porta fizeram com que os vizinhos chamassem a polícia, e Soutine prontamente dissertou sobre a importância da arte acima da higiene.

Uma seleção de 32 telas, obras reunidas em “Flesh”, encontram-se numa mostra no “Jewish Museum” de Nova York, até o dia 4 de setembro. São carcaças bovinas, aves degoladas e peixes de olhos esbugalhados, mostrando o trágico momento entre a vida e a morte que marcou profundamente Chaim Soutine, um dos retratistas de maior impacto da arte moderna.

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