A um passo da guerra


A semana passada foi confusa, tanto nos acontecimentos que se sucediam com muita rapidez e sem lógica, como na incapacidade do governo em segurar as rédeas e colocar a carroça no caminho certo.

Não que seja fácil encontrar o caminho certo, mas Israel não pode se dar ao luxo de deixar que o Hamas e a G’ihad Islâmica ditem as normas, se vai ou não haver um conflito bélico e em qualquer hipótese e quando.

E foi o que aconteceu na 3ª e 4ª feira passadas.

Na segunda feira quando encerrei a coluna, a situação entre Gaza e Israel estava em plena escalada. Embora o número de manifestantes tivesse diminuído, ocorreram ações graves  como a penetração de quatro terroristas em território israelense, que foram despachados de volta, mas exigindo de Israel uma reação que deixasse claro que havia um limite na contenção.

A aviação israelense atacou.

Às 7 da manha da última terça feira, uma salva de 30 morteiros e foguetes foram lançados sobre os ishuvim que contornam a Faixa de Gaza. Um dos foguetes caiu na área de recreio de um Jardim de Infância, não causando perdas humanas porque as 7 da manhã o local estava fechado, mas houve bastante prejuízo.

No espaço de 22 horas, mais de 70 foguetes e morteiros foram lançados contra a região do Conselho Regional Eshkol que representa 32 ishuvim, moshavim e kibutzim e as sirenes de alarme – Tzeva Adom – se repetiam e a população tinha que procurar abrigo em 15 segundos. A noite de 3ª feira foi passada nos abrigos.

A aviação israelense trabalhou horas extras atacando 40 alvos da G’ihad Islâmica e Hamas e as baterias do Domo de Ferro interceptou a maioria dos foguetes e até os morteiros.

Nesta mesma noite, o Egito e os Estados Unidos conseguiram dialogar com ambas as partes e de madrugada foi conseguido um cessar fogo.

Em Israel, os comentaristas políticos e militares, não acreditam que tenha havido algum acordo, simplesmente, acreditam que vai haver uma pausa até 5/6 de junho – o Yom Hanachsa – para o qual está programado pelos palestinos, uma onda de protesto jamais vista.

A crítica dos articulistas se refere principalmente ao fato de que com tantos ataques aéreos sobre Gaza, que é uma área com a maior densidade de população do mundo , não houve sequer um ferido.

Os analistas usaram a expressão “ataque cirúrgico”, que pode explicar a tática de evitar uma escalada que levaria a uma ação bélica de maior amplitude.

Enquanto isto, os incêndios continuam  e nos últimos dias, 9 mil dunames, tanto de reservas naturais como de campos de trigo, plantações de abacate foram consumidos pelo fogo.

No sábado e domingo os bombeiros trabalharam mais de 10 horas para apagar o fogo que se alastrava em direção aos estábulos dos kibutzim Or Haner, Kissufim, Yad Mordechai.

Foram 12 equipes de bombeiros, aviões e helicópteros trabalhando simultaneamente no combate ao fogo, que já causou um prejuízo de milhões de shekalim.

No fim de semana, novamente, as manifestações em direção à cerca de segurança e desta vez uma mulher, enfermeira que estava cuidando de um ferido segundo as fontes palestinas, foi morta por tiros de atirador de elite.

Os protestos foram violentos, principalmente, durante o enterro. O Hamas introduziu um novo tipo de armamento ao longo da fronteira: balões com gaz hélio, que levam explosivos. Mais um desfio para Israel.

É mais fácil derrubar foguetes.

Ninguém está mesmo interessado em encontrar uma solução para este conflito. Nem o Hamas nem a Autoridade Palestina. Os países árabes da região, que várias vezes ofereceram ajuda para melhorar o nível de vida da população, já cansaram de receber a indiferença da liderança de Gaza, que só tem interesse em aumentar a sua força militar, iludindo o povo que já não acredita nas promessas vãs de vencer Israel.

Na verdade, o que eles querem é conquistar o território de Israel e não apenas libertar Gaza do cerco , por isso negam todos os projetos de ajuda humanitária que vem sido oferecido há dezenas de anos.

Netanyahu está envolvido em muitos problemas, inclusive pessoais com os inquéritos que estão se arrastando por longos meses, além da bomba iraniana e da presença de milicias estrangeiras na fronteira norte de Israel, a fronteira com a Síria, que o preocupa mais do que o conflito em Gaza.

Israel está empenhado em conseguir um acordo entre a Rússia, USA e Síria, que termine com a presença militar estrangeira em território sírio.

O embaixador russo na ONU declarou que acredita que Putin está interessado na retirada do Irã e suas milícias da região sul da Síria, ou seja, da fronteira com Israel e provavelmente em seguida, que o Irã se retire inteiramente da região.

Assad apoia a iniciativa russa, bem como os USA e mais ainda Israel, que prefere o exército sírio na sua fronteira, pois tem longa experiência com os militares vizinhos, ao invés dos iranianos, Hesbollah e outras milicias iraquianas comandadas pelo Irã.

O equilíbrio regional foi totalmente rompido com a presença iraniana, que trouxe a Turquia, Líbano (Hesbollah) além de outras milícias xiitas, tornando o encontro destas fronteiras num caldeirão de conflitos.

Sete anos já se passaram. Cerca de 500 mil mortos, milhões de refugiados, basta! Chegou a hora das duas potências tomarem uma resolução e tirar o Irã da Síria, antes que um conflito sério seja iniciado.

Israel não pode manter situações de confrontos bélicos nas suas fonteiras no norte e no sul simultaneamente .
Talvez por esta razão, a aviação israelense realizou um ” ataque cirúrgico ” em Gaza.

Mas todas as conversações levam a um misto de consequências, pois se de um lado, o Irã será afastado 70 km da fronteira de Israel e as tropas de Assad, voltarão a dominar a área, existe o perigo de que os rebeldes sírios que também se estabeleceram ao longo do Golan, sejam massacrados pelo exército sírio, pelo fato de terem recebido ajuda de Israel durante a guerra civil.

Esta é uma região de povos cruéis, que não conhecem a palavra perdão. É tudo olho por olho, dente por dente.

NETANYAHU SE ENCONTRA COM A LIDERANÇA EUROPEIA


Nesta 2ª feira, Netanyahu embarcou para a Europa. A primeira parada foi  em Berlim onde para um encontro com Angela Kerkel. Em seguida, estará em Paris para conversações com Macron.

O último encontro será com Thereza May, em Londres. As conversações vão girar em torno de dois temas: Irã e Irã .
Que tenham sucesso .

NETANYAHU JR. FINALMENTE VAI TRABALHAR
Shurat Hadin é uma organização que representa israelenses vítimas de terror ou ameaças em Israel e no exterior. Yair Netanyahu vai ser o coordenador do Facebook desta organização.

Shurat Hadin foi a organização que processou o Facebook nos USA, por permitir ameaças e provocações de árabes contra judeus na sua rede, em desacordo com o código de uso. A sua função será mediador de “new midia” .
Que seja bem sucedido!

A COPA DO MUNDO ATRAI
Israel outra vez não foi classificado para o Mundial de futebol, mas 6 mil israelenses vão viajar para Moscou para assistir os jogos do esporte que atrai milhões no mundo todo. O Ministério do Exterior publicou “Normas de Comportamento” para os torcedores israelenses para evitar complicações .

É sempre melhor prevenir …

O CLIMA CONTINUA COMPLICADO
Desde abril que estamos sofrendo de uma sucessão de Hamsinim –ondas de calor com umidade muito baixa- e chegamos em junho com a mesma loucura climática.

Na 2ª feira, 4/6 , chuvas nas montanhas que cercam o Mar Morto causaram inundações repentinas nos rios secos, que se tornaram caudalosos. Felizmente não houve vítimas.

Para o fim de semana a previsão indica Hamsin, para variar .

Aliás , não só o clima estará quente, pois além do Yom Hanaksa, dias 5 e 6/6 , os palestinos de Gaza estão programando para a 6ª feira, que será a última do mês de Ramadan, a Marcha de Jerusalém, a Marcha do Milhão, com apoio e estímulo de alguns deputados árabes-israelenses-palestinos.

Estamos rezando para que termine em Paz!
SHALOM ME ISRAEL

 

Um comentário

  1. Fábio Koifman
    Fábio Koifman 5 de junho de 2018 at 5:02 |

    Olá Ruth, colega de escola de minha mãe. Parabéns pelos seus textos. Sempre bons e equilibrados. Uma sugestão: a grafia usual em português (e em outros idiomas que utilizam o alfabeto latino) de Jihad (ou “Jihad Islâmica”) é com “J” e não com “G”. Com um abraço, Fábio.

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