A escuta dos Dez Mandamentos

“Estudar a Lei Divina não basta. É necessário praticá-la.”
Pirkei Avot (Cap. I, 17)

Nessa semana celebramos Shavuot, quando comemoramos o recebimento da Torá. Nas sinagogas de todas as tendências e de todas as latitudes, adultos e crianças vão escutar a leitura dos “Dez Mandamentos”, assim como “Bnei Israel” ouviu a voz do Criador, há mais de três mil anos.

O Midrash relata que quando o “Santo, Bendito o Seu Nome, concedeu a Torá no Monte Sinai, nenhum pássaro trinou, nenhuma ave voou, nenhum boi mugiu, nenhum anjo ascendeu, nenhum serafim bradou ‘Sagrado’. O mar não ondulou e nenhuma criatura emitiu som algum. Todo o vasto Universo silenciou e emudeceu. E foi naquele momento que a Voz se fez ouvir, proclamando: ‘Eu sou o Eterno, teu D’us’ “(Shemot Rabá, 29:9).

Essa passagem do Midrash enfatiza que a Revelação Divina no Sinai foi um evento singular na História da humanidade. Apesar da descrição feita na Torá – as nuvens pesadas, o trovão e os raios, o alto toque do Shofar – não conseguimos, de fato, entender a profundidade do que nossos antepassados ouviram e viram quando D’us Se revelou a eles. Certamente, não há como descrever a grandiosidade do que seja para o finito estar face a face com o Infinito. Assim, no sexto dia de Sivan, os israelitas vivenciaram o maior dos milagres.

Essa passagem do Midrash enfatiza que a Revelação Divina no Sinai foi um evento singular na história da humanidade. Apesar da descrição feita na Torá – as nuvens pesadas, o trovão e os raios, o alto toque do Shofar – não conseguimos, de fato, entender a profundidade do que nossos antepassados ouviram e viram quando D’us Se revelou a eles. Certamente, não há como descrever a grandiosidade do que seja para o finito estar face a face com o Infinito.

Descendo para o nível terreno, uma história do recebimento da Torá me encanta, em particular. Consta, também, no Midrash, que quando o povo de Israel estava no Sinai pronto para receber a Torá, Deus pediu garantias de que o seu conteúdo seria preservado. Ao que o povo respondeu: “Nossos ancestrais serão as nossas garantias”. O Criador não se mostrou satisfeito, alegando que encontrava falhas em nossos ancestrais. O mesmo fato aconteceu em relação aos nossos profetas, que também não foram aceitos, como garantia do cumprimento das leis da Torá. Diante do pedido insistente de Deus para que o povo libertado do Egito apresentasse boas garantias para que a Torá fosse entregue, o povo afinal respondeu: “Nossos filhos serão nossos fiadores e nossas garantias”. Ao que o Todo-Poderoso replicou: “Isto, sim, são garantias excelentes. Em consideração e por amor a eles, vos darei a Minha Torá!”.

Cabe, pois, a nós, pais e avós, através da nossa vivência, darmos o exemplo de integridade ética e moral, para facilitar a missão de nossos pequenos de serem fiadores do cumprimento das mitzvot.

E podemos começar, no próximo domingo, levando as crianças para escutarem os “Dez Mandamentos”, na sinagoga.

Essa escuta, que faz parte do ritual de “Shavuot”, vai fazer parte, também, da construção da identidade judaica da nova geração.

Em casa, o aroma do doce de queijo vai trazer uma saudade imensa de nossas mães, que nos legaram, sobretudo, o modo judaico de ser.

Chag Shavuot Sameach!

Fonte: O Significado dos “Dez Mandamentos”. Revista Morashá. Edição 87, Maio 2015.

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