7 Dias em Entebbe

Escrevo ao voltar do cinema. O filme acima mencionado não me inspirava sequer vontade assistir, pela sinopse e pelo anúncio de que ‘dava voz ao outro lado’. Ainda assim, esperando ver algo contrário a Israel, o que nem é novidade, pois é sempre essa a voz que ressoa mais alto, obriguei-me a ir ao Net Botafogo.

Desde a abertura, a gente se pergunta: – Mas o que é isto? Um balé maravilhoso, forte, impecável, mistura-se à trama, evocando o que de maior existe para o povo de Israel: a liberdade.

Todos conhecemos a história do sequestro do avião da Air France e como acabou indo para Uganda e como o governo de Israel resgatou seus cidadãos, que haviam sido separados numa seleção feita pelos terroristas, e todo judeu sabe o que significa uma seleção em caso de sequestro. Ai de nós se nos esquecermos!

O filme é bem feito, os diálogos são ricos, o balé, ah, o balé é algo inimaginável de tocante e as dúvidas dos terroristas alemães, o ódio dos palestinos, bem, é algo que o governo da autoridade palestina pode explicar, em todos os anos que vem instigando a violência, proibindo que conheçam o sofrimento do povo de Israel, a fim de mantê-los manipulados, a cabeça inteiramente dominada pela farsa de serem os judeus os novos cruzados, ou qualquer outra tolice que inventem para evitar a paz. O filme diz que não há acordo de paz em andamento, e não diz que Israel ofereceu todas as chances para assiná-la.

Mas o que fica, ao final, é o esforço e amor de Israel por seu povo, seu desejo de protegê-lo e manter-lhe a dignidade, conquistada a tão duras penas. Há um movimento de arrependimento por trás dos alemães terroristas, sentindo-se usados e por terem perdido a chance de uma vida tranquila. Que chega tarde demais. O que permanece é um filme belo, diferente em sua concepção, mostrando bailarinos israelenses com uma força e técnica impressionantes. Assim como seu exército e os homens que governavam o país.

Os fatos de o irmão de Bibi ter morrido em ação e a partir de então Netanyahu ter ingressado na vida pública são secundários. O Exército se mostra forte e consciente de que não pode falhar. O diretor acertou em cheio. O filme é imperdível. A crítica não gosta e uma crônica domingueira afirma que o balé atrapalha. Não sabe o valor da música dançada e como ela se encaixa no tema. Não deem ouvidos à crítica e assistam a um belíssimo filme.

Melhor falar de um ‘filmaço’ do que do Aécio Neves, que finalmente, após enganar tantos por tanto tempo, finalmente virou réu e vai se acertar com a Justiça. O senador corrupto devia conhecer a frase de Winston Churchill. Poupar-lhe-ia muitos erros políticos. Não é que recebeu dinheiro de corrupção até 2017, a Lava-Jato a pleno vapor? Nada muda para um corrupto? Terão chances de uma vida normal? Dizem que uma criança que vive na rua, envolvida com crime, não tem mais jeito após os 9 anos. E um senador de quase 60 que viveu na corrupção todo esse tempo? Ele – como Cabral – estava tão perto da Presidência; ambos escolheram o cárcere.

Melhor falar da direção irretocável e imaginativa do José Padilha do que pensar na 23ª. vez que assistimos ao ex-governador Sérgio Cabral ser feito réu. Nunca antes na história. Vergonha! A caminho de ser presidente. Sim, Sérgio Cabral, antes de vir à tona toda a sua roubalheira, embriagado pelo dinheiro que sequer poderia chegar a usar (desejava alcançar o bilhão?) trazia – como o mineiro acima, a vocação e o suposto destino de chegar à cadeira da presidência. Chegou a Bangu 8, e se justiça houver, sua mulher logo a ele se juntará, e por muitos anos. Mas devolvendo o dinheiro arrancado do povo, que hoje vive em estado de falência total, e sujeito a uma violência derivada da absoluta falta de autoridade política no Estado brasileiro, em todo ele, sendo o Rio de Janeiro campeão de abandono.

Melhor falar da bela produção, da direção inspirada, da criação artística que é ‘7 Dias em Entebbe’, um bálsamo nesses dias turbulentos. Em 70 anos, Israel criou um país que já coopera com muitos outros, e em todas as áreas. Bonito, democrático, civilizado, em crescimento constante, tendo universidades que fazem parte das 100 melhores do mundo. Desejo que os palestinos em breve ganhem consciência e tenham seu Estado, para nele criarem seus filhos com a grandeza que os árabes um dia já conquistaram, nas artes, nas ciências, na paz.

E que dizer do médico Hans Asperger, que se descobriu agora ter sido colaborador nazista na morte de milhares de crianças com deficiência física e mental? E dizer que seu nome sobreviveu, até hoje respeitado como o descobridor de uma doença que atinge muitas crianças mundo afora. Infelizmente, o Holocausto não cansa de trazer à tona mais e mais crueldades. Um horror, mas fica absolutamente impossível manter-se negacionista diante de tantos fatos tão cuidadosamente arquivados pelos nefastos seguidores de Hitler. Melhor assistir ao belo filme após ler tantas notícias ruins. No mais, Shalom, que já muito dela se precisa!

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